Mas, afinal, por que existe o mal?

A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira”. Começo o artigo desta semana com essa famosa frase do russo Liev Tolstói, considerado um dos maiores escritores e críticos de todos os tempos. Não há dúvida que a maior, melhor e mais autêntica fonte de bem-estar e realização do ser humano é a entrega de si mesmo em função do outro, ou seja, fazer o bem. Mas, afinal, por que tanta gente não pensa assim? Ou, por que existe o mal?

De uma maneira ou de outra e nos mais variados níveis de intensidade, o mal atinge tudo e todos. Segundo o filósofo Platão, o mal é a falta da perfeição. Há quem diga que o mal é apenas o caminho mais fácil, já que as melhores coisas sempre são as mais difíceis.

De imediato, este tema nos remete a políticos corruptos, violência contra crianças, assassinatos, maus tratos contra idosos, ódio, vingança, desentendimentos e tantas outras coisas que chamamos de “coisas ruins”, “do mal”.

Para navegarmos com eficácia neste tema, inicialmente é preciso entender que agir dessa ou daquela maneira faz parte do conjunto de escolhas que fazemos e, mesmo que nosso passado tenha nos influenciado para escolher o bem, há em nós forças negativas, conscientes ou inconscientes, fruto de nossa história e formação, que podem ser “acionadas” sob algumas circunstâncias.

O fato é que, mesmo tentando esconder ou se esconder dessas sombras, elas podem surgir e fazer verdadeiros estragos em nossa vida. Na internet, por exemplo, o anonimato é um poderoso convite à exteriorização desse “algo ruim”; nas influências que recebemos, nos maus exemplos, em climas de desordem, em ambientes inadequados ou de impunidade…

Entretanto, a grande e máxima verdade é que todos nós nascemos com a essência do bem. Essa é nossa natureza e não tenha dúvida que, qualquer caminho trilhado fora desse roteiro não vai acabar “bem”, nem nos proporcionar equilíbrio emocional, a despeito das aparências (caminho fácil, atalhos perigosos). Mas essa é uma lógica tão clara que passa até desapercebida para muitos, que colocam a ignorância e o egoísmo como motores de suas vidas. Quer vencer o mal? Aplique o bem! Nos momentos em que nos sentimos ameaçados, injuriados, injustiçados ou em ambientes que propiciem que as sombras tomem vida é que o amor se esconde, dando lugar à raiva, à angústia, ao medo. Aplique este “antídoto” e surpreenda-se com os resultados!

Sim, o mal está se multiplicando no mundo e não podemos fechar nossos olhos para esse fato, porque, para vencer o mal ou qualquer inimigo, precisamos saber enxergá-lo, entendê-lo e enfrentá-lo. Quando a sociedade começa a acreditar que todos os problemas estão sendo causados pelos “outros”, aí é que o mal se instala com mais força. Portanto, os bons precisam “escolher” estar à frente. Motivo? Só eles estão aptos a moldar esse mundo para o bem.

Portanto, o convite de hoje é a reflexão sobre a nossa “atitude” diante da fuga de nossa essência (do bem) e sobre o nível de nossa “comodidade” diante do mal.

Aquilo a que você resiste, persiste.” (Carl Gustav Jung).