Matheus Erler: amor pelo filho, profissão e por Piracicaba

Após dois mandatos, Matheus Erler deixou recentemente a presidência da Câmara de Vereadores e agora planeja futuro político, profissional e pessoal (Amanda Vieira/JP)

Apaixonado pelo Lugar onde o peixe para, o piracicabano Matheus Antônio Erler, 36, foi eleito vereador pela primeira vez em 2012, com 2.538 votos, sendo um dos parlamentares mais jovens de Piracicaba. Filho de Antônio Moacir Erler, metalúrgico aposentado, e da dona de casa Joana Cano Erler, Matheus Erler (PTB) foi eleito para o segundo mandato em 2016, Erler, com 2.310 votos. Erler tem quatro irmãos e começou a trabalhar aos 12 anos, como entregador de remédios em uma farmácia. Seu grande amor é filho Matheusinho, de 1 ano e 8 meses.

Formado em Direito pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), o vereador encerrou o biênio da Presidência do Legislativo no ano passado. Embora não defina seus próximos passos para pleito eleitoral de 2020, o parlamentar piracicabano afirma que será um momento de analisar as possibilidades de ampliar as formas dele atuar em prol da população de Piracicaba. Nesta entrevista ao Jornal de Piracicaba, Matheus Erler fala sobre seus planos, o amor pelo filho e a experiência à frente do Legislativo.

O senhor é um apaixonado por Piracicaba. Como é esse sentimento pela cidade?

Sou natural de Piracicaba. Esta cidade tem algo incrível, que todos se apaixonam por ela, tanto quem já é daqui, quanto qualquer outra pessoa que escolhe esta terra para constituir sua família ou desenvolver sua carreira. É uma cidade encantadora, que nos faz querer trabalhar muito pelo seu desenvolvimento e contribuir de alguma maneira para que nossa gente seja feliz.

Como tem sido a experiência da paternidade?

Tenho o Matheusinho, Matheus Antônio Erler Filho, de 1 ano e 8 meses. Filho amado, uma dádiva que Deus me concedeu e que, por mais que eu tivesse suposições sobre o que é ser pai, todas elas foram superadas. É um amor que não consigo medir, uma sensação de que tudo que faço não é suficiente. Matheus me dá um amor imenso e retribui tudo que eu jamais imaginaria merecer. Ser pai é a maior surpresa da minha vida.

Quais suas atividades preferidas de lazer?

Gosto sempre de ler sobre os mais diversos assuntos, acredito que a leitura liberta e traz conhecimento. Gosto muito de leituras voltadas à filosofia, à política. Acho que entender o passado pode nos ajudar a compreender o futuro, e isso é fundamental para que nós, homens públicos, possamos acertar mais em nossas ações políticas.
Aproveito o ambiente da minha casa sempre que posso. Mas estar com meu filho, certamente, é o grande prazer que tenho conhecido na minha vida. Em todas as minhas atividades de lazer meu filho está, é meu principal companheiro. Poder acompanhar, de perto, as descobertas e o crescimento dele é algo extremamente prazeroso. Ele renova minhas forças, me transborda de amor puro e me traz uma paz enorme.

Qual sua formação acadêmica? E como é seu relacionamento com a instituição onde estudou?

Sou graduado em Ciências Jurídicas e Sociais (Direito), pela Unimep, cuja conclusão se deu em junho de 2010. A Unimep é uma instituição pela qual tenho imenso respeito e muitas preocupações pela situação em que chegou. Na Câmara, buscamos criar um Fórum permanente para discussão das questões da Universidade. É um fórum que sempre que mobilizado por professores, diretores, alunos ou sociedade, estará reunido para construir e procurar soluções. Tivemos algumas reuniões em 2018 e nos propusemos a estar com a reitoria e a avançar onde os envolvidos entenderam que a Câmara pode ser útil. Em 2019, queremos continuar a nos propor e a ter participação em soluções positivas para todos.

Entre tantas, qual a especialidade que você escolheu para atuar no Direito e por que?

Por acreditar em um mundo melhor, sempre gostei de ajudar os que mais precisam. Por isso, minha especialidade de atuação é no direito previdenciário, que tem caráter eminentemente social e tem como objetivo garantir os direitos básicos dos cidadãos, no que diz respeito à assistência social e à previdência social.
Desenvolvi um modelo de negócio, o qual acredito muito e que objetiva meu maior desejo em todas as áreas, que é levar informações às pessoas, fazendo que, instruídas, conquistem seus direitos. Tive que estudar muito o modelo previdenciário brasileiro, numa busca autodidata, que me fez conhecer a grande maioria dos caminhos para que, de forma rápida, as pessoas com direito à aposentadoria e assistência da previdência social não tivessem estes direitos privados. Hoje, sinto-me plenamente realizado pelo alto índice de soluções que levamos a estas pessoas. Muitas delas que sequer imaginavam que poderiam ter um salário mínimo de assistência, que não tinham condições de se alimentar direito, e com nosso trabalho alcançaram benefícios.

Como o você avalia o período e a experiência de ter sido presidente da Câmara de Piracicaba?

Ser presidente foi uma experiência única, que me permitiu colaborar com a cidade de forma com que pudesse colocar em prática meus anseios também como cidadão. Foram várias fases. A primeira de entender como tudo funcionava e a importância do papel da Casa na sociedade. Perceber que a vida de cada cidadão passa pelas decisões dos 23 vereadores e poder contribuir decisivamente para que estas decisões sejam as mais eficazes possíveis é uma oportunidade que poucas pessoas tiveram e têm. Quando compreendi este papel, fez sentido minha entrada na política. Ser vereador não era um projeto de vida, foi um escape diante da ânsia que eu tinha de ajudar as pessoas e que, apenas em minha vida profissional não me parecia suficiente.
Sendo gestor da Câmara, uma das minhas principais conquistas foi trabalhar para que o Legislativo se tornasse cada vez mais transparente e contasse cada vez mais com a participação da sociedade. Tudo só foi possível porque tivemos uma Câmara coesa e unida, que nunca declinou da função de ajudar e apoiar as decisões da Mesa Diretora. Outro ponto positivo do meu mandato como presidente foi a austeridade para que houvesse economia, que resultou em quase R$ 30 milhões para o Executivo investir em saúde, educação e segurança pública. Presidir o Poder Legislativo de Piracicaba foi uma honra única, me sinto abençoado. Tornei-me um ser humano muito melhor e mais sensível às principais causas e demandas da sociedade após esta experiência. A política veio satisfazer uma parte de mim que entende que deve fazer muito mais do que o possível pela vida das pessoas, pois antes, muitos fizeram bastante pela minha vida. A política é apenas uma retribuição, e a presidência da Câmara me possibilitou exercitar isso. Só posso dizer que ainda sinto que tenho muito a fazer e me preparo todos os dias para isso.

O vereador mencionou a economia de quase R$ 30 milhões, enquanto esteve presidindo a Câmara. Nestes quatro anos, como esta economia foi feita?

Sempre priorizando o bom uso do dinheiro público. Durante este tempo, algumas ações foram de extrema importância para que conseguíssemos esta redução de custos. Renegociamos contratos, diminuímos os valores das diárias de viagens oficiais e reduzimos as horas-extras, como também as despesas em serviços essenciais: obras, material permanente, energia elétrica, telefonia, combustíveis e gás. Esta é uma conquista coletiva, todos os parlamentares e servidores da Casa tiveram papel fundamental, como agentes políticos e também como cidadãos, pois compreenderam a necessidade de contribuir com a economia do nosso município.

Quais os principais desafios destes dois anos de mandato de vereador em que fez questão de não estar na Mesa Diretora?
Sim, fiz questão por dois motivos: primeiro, porque como tivemos marcas fortes em nossa gestão, manter-me na Mesa seria indicar um desejo que não é o meu, de manter-se sempre na linha de decisões. A renovação é essencial para a oxigenação da Casa. Segundo, porque depois de quatro anos de presidência, atuando junto de todos os vereadores, entendo que possa ter um papel de contribuição no plenário, de estímulo ao aprimoramento das discussões mais importantes e, até mesmo, para ter uma liberdade crítica quando entender que a gestão da Casa não esteja atuando da melhor forma possível.

O Observatório Cidadão divulgou, no último boletim, que a Câmara atingiu o índice de 88% de transparência, o maior desde 2012. O que este resultado significa para você?

O Observatório Cidadão é um grande parceiro e incentivador para que a Câmara preste informações aos cidadãos de maneira coesa, clara e transparente. Sempre contribuiu com apontamentos para que essa comunicação fosse cada vez mais adequada.
Desde que assumi a presidência, em 2015, conseguimos apresentar uma melhora gradual no acesso à informação e na transparência pública. Em novembro já havíamos saltado de 40% para 75% nos itens atendidos. Finalizar o mandato como presidente, com o índice de 88% é gratificante demais. Tenho a sensação de que cumpri o que me comprometi a fazer, tornando a Casa um lugar acessível, transparente e participativo.

Quais são seus projetos futuros? Pretende ser candidato a qual cargo em 2020?

Quero continuar realizando o meu trabalho como parlamentar, auxiliando a sociedade no que for necessário e contribuindo para o crescimento e desenvolvimento da nossa Piracicaba. Espero que meu trabalho como vereador continue dando às pessoas, principalmente às mais humildes, melhores condições de vida, apenas usufruindo de direitos que já são delas. O ano de 2020 é um momento de analisar as possibilidades de ampliar minhas formas de atuar pela população e por Piracicaba. Se será no Legislativo ou em um outro projeto mais amplo, são fatores que precisam ser analisados. Não descarto a possibilidade de me dedicar mais ainda a vida política, mas essa é uma questão que não vem especificamente só de mim, mas do grupo de pessoas que me apoiam e também de forças políticas da cidade.
Um projeto político não nasce da nossa vontade única. Como disse, ajudar as pessoas me motivou a vir à vida pública, mas pessoas ao meu lado me ajudaram a analisar o caminho correto a percorrer. Eu me sinto confortável e útil como homem público, me sinto jovem e com muita disposição. Hoje, com os resultados que obtivemos frente ao Legislativo, me sinto mais preparado para desafios que podem ser, desde uma reeleição a vereador, quanto a projetos que me possibilitem ampliar esta retribuição a Piracicaba. Portanto, 2020, 2022, 2024 são anos que estarão no meu projeto de vida pública, pensados e projetados de forma muito consciente, mas coletivamente. Se a cidade entender que eu posso ser útil, estarei à disposição.

Qual sua expectativa em relação ao governo federal?

O novo governo vem de uma expectativa gigantesca da sociedade. Por iniciar os trabalhos com declarações contundentes, fortes e com um tom de combate a corrupção extremamente necessário, o atual governo é visto como esperança para novos tempos na política. E posso dizer isso porque fizemos o mesmo enfrentamento em Piracicaba e sei os desgastes políticos que sofrem aqueles que se levantam contra a corrupção. Mas precisa ser assim, nossa política precisa ser resgatada. Os modelos precisam ser higienizados e a população precisa ser o foco da política, não há dúvidas quanto a isso.
Este processo, e repito, vivemos isso na Câmara de Piracicaba, devolve credibilidade aos Parlamentos e aos governos. E com credibilidade em alta, os diversos apoios da sociedade regressam naturalmente. Neste sentido, sou otimista e espero que o discurso e prática caminhem juntos, que o próximo governo tenha estrutura técnica eficiente para que possa olhar para o País como um todo e entender suas particularidades e anseios na hora de tomar decisões. E que essas decisões sejam seguras e não prejudiquem a população.

Durante o recesso legislativo, quais são as atividades que procura fazer para “aliviar” a mente?

Primeiro que o recesso é uma oportunidade de reorganizar a vida pessoal e profissional que, com a atividade política intensa, ficam em segundo plano. Sabemos disso quando nos propomos à vida pública, mas é importante este tempo de reorganização e uma equipe de gabinete coesa, competente e forte para lhe dar retaguarda. E isso graças a Deus eu me orgulho em ter. Estando a vida reorganizada, o fôlego retomado, a oportunidade de retomar a atividade política com ideias renovadas é extremamente positiva. Neste período, estar ao lado de quem se ama é essencial para repor energias.

O vereador apoiou e trabalhou pela eleição do atual presidente Gilmar Rotta para a direção da Câmara. O que foi determinante para a sua escolha e qual sua expectativa?
Gilmar foi meu vice-presidente na primeira gestão, depois lançou-se candidato legitimamente e acabei por vencê-lo pela vontade da maioria dos vereadores. Nossas divergências foram momentâneas, parte eu tinha razão, parte ele. Esta convivência me fez conhecer a seriedade do homem e do político. Somando a isso, sua formação profissional é invejável. Gestor público com diversas especializações em áreas que o Legislativo terá muito a usufruir. Penso que deixamos uma Casa arrumada para uma gestão técnica, sem deixar de fazer política, mas técnica. Entendo que era o seu momento, que ele representava a certeza de que não teríamos retrocessos danosos à Casa. As expectativas são muito positivas, de continuidade do processo de democratização da Casa, de abertura, de transparência, de inovação tecnológica e, principalmente, de gestão econômica eficaz e responsável.

(Eliana Teixeira/JP)