Mauro Rontani: o Direito é essencial à sociedade

Com atuação no Executivo e Legislativo, Rontani assume presidência do Conselho de Curadores da Fumep. (Foto: Amanda Vieira)

O advogado piracicabano Mauro Rontani, 56, é o caçula do casal Milton Rontani e Elza Conceição Mariano Rontani e irmão do engenheiro civil e professor universitário Milton Rontani Jr. e do violista da Orquestra Sinfônica de Campinas e da Orquestra Sinfônica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Marcos Rontani. Ele é casado com a protética Rosemary Gerdes Rontani e pai da jovem Vitoria Rontani, 19 anos.

Rontani é advogado formado pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), com especialização em Direito Civil e Processo Civil.

Ele iniciou a carreira em 1987 trabalhando como chefe de gabinete em Piracicaba do deputado federal João Herrmann Neto (1946-2009). Em 1991, o advogado chefiou o gabinete do vereador piracicabano Irineo Ulisses Bonazzi e, depois, em 1994, foi nomeado diretor jurídico da Câmara, onde permaneceu até 1998.

Em 1999 Rontani assumiu a assessoria jurídica do mandato do deputado estadual Roberto Morais onde permaneceu até março de 2005. Ele prestou assessoria jurídica também na Câmara Municipal de Saltinho e na Autarquia de Água e Esgoto de Capivari e, no período de 2008 a 2012, atuou como secretário municipal de Negócios Jurídicos de Santa Bárbara d’Oeste.
Em 2013, voltou a trabalhar em Piracicaba assumindo a assessoria jurídica do gabinete do prefeito, Gabriel Ferrato e, em março de 2014 foi nomeado procurador-geral do município até dezembro de 2016.

No início de janeiro de 2017 Rontani voltou à Câmara de Vereadores atendendo convite feito pelo presidente Matheus Erler para a assumir o cargo de assessor jurídico do gabinete da presidência e, em agosto de 2018, foi nomeado diretor de administração, cargo que ocupa até o momento. Após a eleição do Presidente Gilmar Rota em 2018, o advogado foi convidado a permanecer na função.

Quando não está trabalhando, o advogado ‘piracicabano com muito orgulho’ aproveita para desfrutar da companhia da família e dos amigos. Nesta semana, ele concedeu uma entrevista ao Jornal de Piracicaba para a coluna Persona.

Por que escolheu o Direito como carreira?
Tinha a certeza que era vocacionado para área de humanas pela influência na adolescência, época da abertura política no final da década de 70 quando o país passava por grandes transformações, por participar do JEC (Juventude Estudantil Católica) da Catedral de Santo Antônio, do Grêmio Estudantil do CLQ e da Juventude do PMDB.
Em 1984 fui estudar Ciências Sociais na Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Araraquara, onde permaneci até 1996 quando deixei o curso e prestei vestibular para Direito, que é apaixonante porque é uma atividade essencial na vida em sociedade. Tanto é assim, que a única profissão expressa na Constituição Federal é a de advogado, sendo ela indispensável para a administração da justiça.


O senhor é diretor do Departamento de Administração da Câmara de Vereadores de Piracicaba e, recentemente, assumiu a presidência do Conselho de Curadores da Fumep. Como o senhor concilia as duas atividades?

Tenho por princípio trabalhar em equipe e delegar tarefas e com isso consigo atuar em diversas áreas. Toda a parte burocrática do conselho de curadores é feito pelos servidores da FUMEP, somado que as decisões do conselho são executadas pelo Diretor Executivo e as reuniões do conselho acontecem no período noturno, dando para conjugar horários.

Como é administrar a Câmara de Vereadores, quais os principais desafios, há metas para contenção de despesas?
O Departamento de Administração é um órgão de meio da Câmara de Vereadores, ou seja, ela dá suporte aos vereadores e demais departamentos para que executem seus trabalhos a contento. Somado a isso, a Câmara é referência política e administrativa na cidade por conta da sua interação entre os piracicabanos e o Legislativo e o departamento tem que atender essas demandas. Os principais desafios é criar condições materiais para a participação do cidadão no trabalho do Legislativo e, cada vez mais, ser transparente na prestação de informação pública.
Desde a Mesa Diretora passada e nesta também, a ordem é economizar. E isto já foi demonstrado nesse semestre com economia de mais de R$ 400 mil com toda as atividades que a Casa faz, sessões camarárias, audiências públicas, atividades dos fóruns, Escola do Legislativo entre outras. A Câmara hoje é a caixa de ressonância da sociedade piracicabana como, por exemplo, o projeto do Plano Diretor, pelo qual os vereadores estão sendo procurados pelos mais diversos setores da sociedade para debater, apresentar sugestões e críticas.


O país vivencia uma crise financeira e está saindo de uma situação política tumultuada, de uma polarização verificada nas últimas eleições. O senhor administra um setor que tem a política como centro nervoso, é possível se manter distante das questões políticas?

Não, porque a Câmara é essencialmente política pela representatividade de seus vereadores. São eles que definem as políticas públicas do Município na medida em que deliberam as aplicações de recursos públicos e os benefícios sociais, concretizados em programas. Porém, a polarização que você se refere se dá em nível nacional e em Piracicaba temos o privilégio de todos os setores da sociedade se interagirem para o bem da cidade.

Nos últimos anos a política no Brasil vem sendo criticada mais do que o habitual, para o senhor que administra um setor público mantido por impostos, qual o peso dessas críticas?
Não trataria como peso, mas sim como estímulo a alterar o procedimento e que foi implantado de forma continua pelo Presidente Gilmar ao instituir o Parlamento Aberto, projeto do presidente anterior, Matheus Erler, e que teve continuidade, reconhecido pela Controladoria Geral da União e por outras Câmaras que estão buscando Piracicaba como referência.

Falemos agora de outra eleição, a que o elegeu presidente do Conselho de Curadores da Fumep (Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba). Como ocorreu esse processo, o senhor mostrou interesse, foi convidado?
O conselho é órgão de direção, deliberação, fiscalização e supervisão da Fumep, sendo constituído por 12 membros divididos entre poder público, sociedade piracicabana e representantes dos docentes, discentes e funcionários. Participo dele como representante do Poder Legislativo, escolhido pelos senhores vereadores.
Na realidade houve toda uma construção por parte dos conselheiros para a minha eleição na presidência e a de vice do Prof. Roberto Arruda de Souza Lima, prefeito do Campus da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), com a intenção de auxiliar o Diretor Executivo, Prof. Giuliani, na inovação da fundação.
Como o processo é desafiador, aceitamos e colocamos nossos nomes para o conselho, que foram aprovados por unanimidade. Para mim é uma grande honra presidir o conselho porque a FUMEP é reconhecida pela excelência na área educacional, com 51 anos de atuação.

Quais as suas funções na presidência do Conselho?
A presidência coordena o conselho, propõe a pauta, dá encaminhamentos ao que foi decidido pelo colegiado e trabalha auxiliando o diretor executivo. Na realidade, compete ao Conselho zelar pela fidelidade da FUMEP aos fins para que foi instituída e pelo seu crescente prestígio e tem a função de escolher o diretor executivo, bem como os diretores e vice-diretores das unidades de ensino, pesquisa e extensão. Também são funções deliberar sobre orçamento, planos de trabalho, prestação de contas e relatórios de atividades apresentados pela Diretoria Executiva, instituir normas para orientação e administração, reformar o Estatuto, elaborar e alterar o Regimento Interno quando necessário, encaminhar ao Prefeito, à Câmara e ao Ministério Público as deliberações sobre alterações estatutárias, decidir sobre alienação, oneração ou aquisição de bens, criar novas unidades de ensino e deliberar sobre a estrutura funcional-administrativa e de ensino da Fumep.

O senhor permanece no cargo durante os próximos dois anos, quais os desafios que o senhor vislumbra e quais projetos pretende implementar nesse período?
O desafio dos próximos dois anos é o de analisar a nova realidade educacional frente ao mercado e as possibilidades de avanço no contexto regional, até porque a Fumep percebe a necessidade de ter programas em diversas áreas, visando preparar as pessoas para atuação neste mercado em constante mutação e que é extremamente competitivo.

A educação no Brasil tem passado por momentos tumultuados, nesta semana, na cidade houve manifestações de estudantes contra o Governo Federal. Qual a posição da Fumep nesse momento diante da situação?
As mudanças propostas vêm do novo Governo Federal, ainda estão em discussão e toda mudança causa um certo tumulto, o que é previsível. No momento estamos só acompanhando o quadro nacional.

O senhor tem em seu currículo atuações em vários órgãos públicos, inclusive em outras cidades da Região, a que o senhor atribui os convites para essas funções?
Às oportunidades que tive de atuar ao lado de grandes políticos, profissionais e gestores. Busquei sempre absorver e compartilhar, estar atento aos meus campos de atuação e interesse e a ser propositivo. Acho que foi sempre o diferencial o meu interesse em entender as cidades em que atuava, para poder contribuir além das minhas funções jurídicas.

Essa vivência em atuar em órgãos públicos despertou no senhor a vontade de ocupar um cargo político? O senhor tem esse projeto?
Todos os cargos que ocupei e ocupo são políticos. Atuo no trabalho de assessoramento, chefia ou direção no serviço público e isto me deixa extremamente lisonjeado por poder colaborar e participar da história da nossa cidade. Não tenho e nunca tive intenção de ser candidato a cargo eletivo.

Beto Silva
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