Máximas mais ou menos verdadeiras…

Plínio Montagner

Todos dizem que a pior coisa que existe é doença. E é mesmo, para tudo se dá um jeito, menos para a morte, que é invencível.

Quando algo ruim acontece, o que se pode dizer é que podia ser pior.

Essa discussão não tem fim. Alguém erra um caminho, sofre uma derrota ou um acidente, e algum otimista inverte dizendo que o infortúnio foi uma sorte porque outros caminhos se abrirão, e poderão ser melhores.

Sobre esse tema um amigo religioso citou-me uma passagem bíblica:

Um fazendeiro estava radiante porque havia tido a sorte de ganhar num sorteio um bonito cavalo, de linhagem nobre e valiosa. Mas sua alegria esmoreceu ao ser advertido por sua esposa:
– Não sei não! Sorte? Esse cavalo vai ser um azar para nós.

– Como você pode dizer uma coisa dessas? Azar? Como um prêmio pode ser coisa ruim? Ela não arredou e repetiu:
– Esse animal vai trazer desgraça para nós.
Algum tempo depois o filho, escondido dos pais, arriou o dito animal e saiu em disparada pela fazenda. E veio a notícia que a mãe previra: o garoto havia caído do cavalo.
A mãe não se conteve, e emendou:
– Eu não falei que esse cavalo ia dar azar?
O marido, sentindo-se cúmplice do acontecido, respondeu:
– Se a sorte do prêmio virou azar, esse azar pode ser sorte.

Anos depois veio uma convocação para se apresentar ao exército de seu país. Porém os ferimentos deixaram o jovem incapaz de atender ao chamado. O que havia sido desastroso se transformou em sorte porque muitos amigos perderam a vida ou ficaram mutilados em combate.

É isso, sorte ou azar não se sabe, uma reprovação num concurso pode ser azar ou sorte, como também entrar ou não num avião, casar ou não casar, errar ou acertar, ganhar ou perder. Tudo pode ser azar ou sorte, como escreveu e cantou Cazuza:

Sorte e Azar:
“Correr risco, apostar num sonho, tudo é questão de obedecer ou não ao instinto. O resto é sorte ou azar. Não se negue a nada, a nenhuma força que dê luz, seja de Deus ou do diabo. É só pagar para ver. Se por acaso doer demais é porque valeu; é porque valeu, é porque valeu…”.

A piada também combina:
Um menino passeava pela praia com sua mãe quando achou uma carteira com bastante dinheiro. A mãe o alertou:
– Lembra o que sempre falo para você, que Deus ajuda quem cedo madruga? Meio ressabiado, o menino retrucou:
– Não sei não, mãe, por que Deus em tão não ajudou mais o homem que levantou mais cedo do que eu? Ele se danou, né?

Plínio Montagner é professor