Médico piracicabano é o único da cidade a usar robôs em cirurgia

O urologista Gustavo Dias é o único cirurgião de Piracicaba capacitado a realizar procedimentos da próstata e rins utilizando robôs. A primeira cirurgia robótica realizada no Brasil ocorreu em março de 2008, no Hospital Sírio-Libanês. Neste mesmo ano, o Hospital Albert Einstein também iniciou a utilização desta plataforma. Hoje no Brasil, segundo o especialista, existem cerca de 35 plataformas e a grande maioria delas está em operação nos hospitais das principais capitais do país. No interior paulista há apenas um robô em operação, no Hospital de Amor, em Barretos (antigo Hospital de Câncer).

Atualmente o da Vinci é o único robô disponível no mercado e o custo do equipamento é de aproximadamente R$ 15 milhões de reais. Segundo o médico, no mundo existem mais de 43 mil cirurgiões treinados para utilizar o da Vinci e hoje, em Piracicaba, apenas ele tem o treinamento e certificação para usar o equipamento em cirurgias nos hospitais Sirio-Libanês, Albert Einstein e Nove de Julho. “Estamos na era das cirurgias minimamente invasivas na qual os pacientes são operados por pequenas incisões ou orifícios naturais. Entre as cirurgias minimamente invasivas temos a possibilidade de utilizar o robô chamado da Vinci.”, explicou.

Segundo ele, o robô pode ser utilizado praticamente em todos os procedimentos com indicação laparoscópica (procedimento cirúrgico minimamente invasivo realizado sob efeito de anestesia). As especialidades que mais utilizam o da Vinci são a urologia, ginecologia, cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia gastrointestinal e cirurgia torácica, mas as demais especialidades estão incorporando esta nova tecnologia. “Na urologia utilizamos principalmente para cirurgias complexas como a prostatectomia radical que é a cirurgia de retirada da próstata para o tratamento do câncer, nefrectomia parcial que é a retirada apenas de uma parte do rim que está com câncer, entre outras”, explicou.

De acordo com Dias, o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece o serviço em alguns hospitais específicos como o Hospital de Amor, em Barretos, Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre e Hospital do Câncer do Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. e ainda não está disponível pelo SUS de Piracicaba.

INDICAÇÃO — A cirurgia assistida por robô, conhecida popularmente por cirurgiarobótica, é uma ferramenta médica indicada aos pacientes que serão submetidos a procedimentos onde envolvam grande detalhamento anatômico ou procedimentos cirúrgicos realizados em pequenos espaços e cavidades, como a região pélvica masculina. “Geralmente, na urologia recomendamos a cirurgia robótica em pacientes com diagnóstico de câncer de próstata com indicação de prostatectomia radical (retirada da próstata), câncer renal com indicação de nefrectomia parcial (retirada apenas da parte do rim com o tumor)”, afirmou Dias.

As vantagens da cirurgia robótica para o cirurgião e paciente são: visão tridimensional em alta resolução com imagem estável, já que a câmera é mantida e movida por um braço articulado e não por um cirurgião auxiliar; aumento da imagem em até 15 vezes, melhorando a precisão na diferenciação dos tecidos; liberdade de movimentos através de instrumentos cirúrgicos com mais mobilidade que o punho humano; cortes menores que a cirurgia aberta; menor sangramento e, portanto, menos chances de transfusões sanguíneas; menos dor no pós-operatório; menor risco de menos tempo de hospitalização; menos tempo de uso da sonda vesical no caso de prostatectomia radical; retorno mais rápido às atividades cotidianas.

(Beto Silva)