Medidas protetivas pela Patrulha Maria da Penha aumentam 43%

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“A equipe da Patrulha Maria da Penha foi até a delegacia, me orientou e me acompanhou até o IML (Instituto Médico Legal). Foi tudo mais rápido. Eu agradeço porque quem me encorajou (a denunciar) foi essa equipe. Só quando eles chegaram eu consegui ver uma luz no fim do túnel”. O depoimento é da professora C., 36 anos, vítima de violência doméstica. O trabalho da Patrulha Maria da Penha, implantada em 2017, em Piracicaba, encoraja cada vez mais mulheres como C. a se livrarem de seus agressores. Dados da Guarda Civil, responsável pela Patrulha, mostram
que houve aumento de 43% na média mensal do número de medidas protetivas expedidas entre os anos de 2018 e 2019.

O atendimento diferenciado e a garantia de proteção pós-denúncia, fazem com que cada vez mais mulheres se sintam seguras para fazer denúncias contra seus agressores. Em um comparativo, a média de medidas protetivas recebidas pela GC em 2018 era de 30/mês. Em 2019, esse número saltou para média de 43 medidas, um aumento de 43%. Em 2018 foram 361 medidas protetivas e 13 agressores presos. Em 2019, em cinco meses, de janeiro a maio, já são 216 medidas e 11 prisões em flagrante.

“Este aumento das medidas protetivas nos mostra que as campanhas de conscientização estão mobilizando e fortalecendo estas mulheres a denunciarem a violência doméstica e solicitarem a medida protetiva. Muitas sofrem caladas e por medo ou vergonha acabam por não denunciar o agressor, mas as campanhas estão trazendo uma nova visão para estas mulheres, as quais não estão mais aceitando a violência”, observa a comandante da GC, Lucineide Aparecida Maciel.

Desde a criação da Patrulha, a Prefeitura informa as mulheres sobre a existência do serviço de diversas formas, entre elas reportagens, folders e campanhas. As campanhas “A Força de uma é a Força de Todas” e “Mulher, Você tem todo Direito de ser Feliz”, impactaram a população.

A campanha no transporte coletivo foi idealizada pela presidente do Fussp (Fundo Social de Solidariedade de Piracicaba), Sandra Negri, em parceria com a GC e Via Ágil, com verba do Fussp.

LIVRES
A professora C., 36 anos, foi casada durante três anos. Nesse período, sofreu agressões psicológicas. “Não tinha coragem de denunciar. Na verdade, tinha vergonha: uma pessoa formada, esclarecida, se sujeitar a isso? Mas quando você está dentro vê que mais difícil sair”, relata. C. se separou algumas vezes, mas diante da promessa do companheiro em mudar, ela voltou. E ele não
mudou. Além da agressão psicológica, eram empurrões, socos e até esganadura.

A violência doméstica também fez parte da rotina da assistente administrativa R., 54 anos. Só que no lugar do marido, o agressor é o genro. E ela não é a única vítima: a filha, casada com o homem, e a própria filha dele e sua neta de 4 anos também tem medidas protetivas contra ele.

As primeiras agressões eram verbais. Também fazia escândalos e destruía bens materiais. A filha não aguentou e disse que queria a separação. Foi quando ele a agrediu com um murro no peito, que a deixou sem respirar. “Ele só parou porque minha neta entrou na frente”, conta.

Depois disso, o homem saiu da casa, mas teve um dia ele tentou atropelar as três e foi então, que elas entraram com a medida protetiva.

Da Redação