Mesmo com empoderamento, mulheres buscam avanços na sociedade

Uma palavra que está em alta no movimento feminista é empoderamento. Em todas as áreas. Seja contra o assédio nos ônibus, nos metrôs e no Carnaval, seja em assumir seu corpo e cabelo com todas as imperfeições e contra os padrões de beleza pré-estabelecidos. Seja em ingressar em um setor dominado pelos homens. Empoderar-se é assumir as rédeas de sua própria vida. Avanços ocorreram, mas há um longo caminho a trilhar, afirmaram mulheres ouvidas pela reportagem do Jornal de Piracicaba.
 
Responsável por projetos sociais da Caterpillar, Luciane Venturini ajuda projetos a se desenvolver e a mulher a se empoderar. Em um desses projetos, a empresa de máquinas pesadas tenta atrair mulheres para o seu quadro de colaboradoras, que, hoje, tem de 80% a 90% de predominância masculina. Grupos de mulheres da empresa fazem reuniões e eventos em busca de aperfeiçoamento constante, inclusive com a participação de homens. Um dos projetos em andamento é o lançamento de um livro, em maio, pelo Instituto Cecílio Elias Netto, sobre mulheres que fizeram a diferença na comunidade e nas empresas.

 

Na opinião de Luciane, tem acontecido uma mudança, mas ainda há um longo caminho a trilhar até atingir a igualdade de gênero. “Hoje em dia existem mais mulheres em cargos de liderança, que moram sozinhas, que ajudam outras pessoas. As mulheres devem ajudar umas às outras e ter um olhar de irmandade e fraternidade, para ajudar as próximas gerações a alcançar as mudanças”, disse Luciane.
 
 
POLÍTICA — As vereadoras Nancy Thame (PSDB) e Adriana Sgrigneiro Nunes, a Coronel Adriana (PPS), promovem atividades para refletir sobre o papel da mulher na sociedade. “Nós, mulheres, temos que fortalecer a individualidade, ter força, posicionamento, assumir aquilo que queremos, porque, ao nos fortalecermos, geramos transformações e mais igualdade. Essa força individual contagia o coletivo”, resumiu Nancy. Apesar dos avanços, ela cita que o Congresso Nacional tem apenas 10% de mulheres em seus quadros e as câmaras municipais apenas 12%. 
 
“A gente vê hoje mulheres em todas as funções, mas está em menor número. Em funções de liderança e tomada de decisão, em que a participação da mulher é muito pequena. A mulher pode participar de ambientes de decisão em quaisquer que sejam as áreas e temas, isso que tem que ser fomentado”, afirmou a coronel Adriana.
 
 
COLETIVO — Do Coletivo Marias de Luta, Pâmela Cristina Oliveira disse que o movimento nasceu no início de 2017 e é formado, em sua maioria, por jovens feministas. O grupo luta pela construção da Casa Abrigo, atuação no Conselho da Mulher e na questão artística. Os principais embates, disse, é o funcionamento eficiente da rede de atendimento à mulher, para que haja comunicação entre os serviços. Para Pâmela, os desafios são investir em educação e na igualdade salarial.
 
 
AVANÇOS — A presidente do Conselho Municipal da Mulher, Laura Maria Pires de Queiroz, destacou a importância do funcionamento do Cram (Centro de Referência e Atenção à Mulher), além da montagem da Patrulha Maria da Penha. A advogada Clarissa Magalhães Ferreira, presidente do Conselho Regional de Prerrogativas da OAB (Ordem do Advogados do Brasil), ressalta que ocorreram avanços, como criação da Lei Maria da Penha, mas ressalta a necessidade de ampliar o debate para que haja união das mulheres para superar os obstáculos.