Mesmo com ordem judicial, prédio no bairro Cidade Alta não é demolido

Mesmo com ordem judicial para derrubar um edifício de 14 andares, na rua Gomes Carneiro, no bairro Cidade Alta, o imóvel, abandonado há 28 anos, permanece em pé e é ocupado por moradores de rua. Há uma ordem judicial expedida pelo Tribunal de Justiça em 2015 para demolir o prédio, mas o proprietário não cumpriu a determinação, segundo a prefeitura. Com isso, o prédio se tornou ponto de consumo de drogas e de prostituição, além de acumular mato no terreno e calçada. Esse abandono causa transtornos aos moradores das proximidades.
 
Os vizinhos contam que apenas quatro famílias moravam no edifício abandonado mas, com o passar do tempo, esse número aumentou consideravelmente.”Tem até grávidas morando no prédio” conta uma moradora, que preferiu não ser identificada. A mesma moradora foi assaltada diversas vezes e diz que furtos como de tampas de relógios de registro de água e energia e fios de telefone e de energia são frequentes no local.
 
O prédio, localizado no Centro da cidade, também se tornou um depósito de lixo. A dona de casa Marta Benatti, 61, conta que todo tipo de lixo é depositado no imóvel e que também há foco de mosquitos e aparição de escorpiões.
 
O mato alto avança sobre a calçada e a rua, impossibilitando a passagem de pedestres. ““Até quando esse descaso continuará por parte das autoridades competentes?”, questiona Marta. 
 
Segundo moradores, um dos proprietários de uma residência pagou para podar o mato que invadia a sua casa. O aposentado Dimas da Silva disse que também já foi assaltado e que os invasores levam aparelhos de som e fazem festa dentro do prédio. Ao ligarem na polícia, os moradores não são atendidos. “Não aguento mais! Será que estão esperando uma tragédia para tomar providências?”, desabafa Silva. 
 
Os imóveis no entorno do prédio estão à venda ou com placa de aluga-se por conta dos frequentes transtornos nunca solucionados em quase três décadas. 
 
O edifício, construído há 28 anos, oferece riscos à população, pois, de acordo com o procurador-geral de Piracicaba, Mauro Rontani, a obra apresenta sinais de deterioração das colunas e lajes e corre o risco de desabar. “Estão colocando a vida das pessoas em risco, é um absurdo!”, reclama Marta Benatti, que possui uma residência próxima do imóvel.
 
De acordo com a prefeitura, a responsabilidade de destruir a obra inacabada cabe ao proprietário, que deveria ter acatado a decisão no prazo de 30 dias a partir da decisão judicial de 2015, sob pena de multa diária de R$ 5 mil por descumprimento. Caso ele não obedecesse, a prefeitura assumiria a ação e cobraria uma multa de ressarcimento financeiro. Após três anos, o imóvel ainda está em pé.