Meta: manter a Acipi na vanguarda

Furtuoso defende que todos os setores trabalhem em conjunto para promover o desenvolvimento da cidade. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Há 17 anos, o empresário paulistano Luiz Carlos Furtuoso, 68 anos, recebeu o título de Cidadão Piracicabano da Câmara de Vereadores. Antes mesmo da homenagem, o filho do casal Luiz Furtuoso e Izabel Nassif sempre se considerou um piracicabano. Ele veio da Capital com apenas um ano de idade.

Luiz Carlos é irmão de Eloísa, Sérgio e Marisa. O empresário é casado com a professora universitária aposentada Maria Cristina, pai de Thais, Sérgio e Samira e avô de Maria Fernanda e Ana Beatriz.

Furtuoso faz parte da diretoria da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba) há mais de 20 anos e ocupou vários cargos na entidade. Atualmente, ele é o presidente da associação que, neste ano, completou 86 anos.

Manter a entidade atuante e atender às expectativas do mais de 5 mil associados são alguns dos desafios do presidente que, na noite de ontem, foi homenageado pela Associação Sírio Libanesa de Piracicaba.

Nesta semana, o presidente recebeu a reportagem do Jornal de Piracicaba para a entrevista do Persona.

O senhor está há quanto tempo na diretoria da Acipi?

Estou na Acipi há aproximadamente 20 anos e nesse período participei de vários cargos, de 2001 a 2005 fui presidente e antes disso tenha sido diretor e vice-presidente, depois continuei em vários cargos no conselho, presidente do conselho, cargos de diretoria. Então é uma participação de longa data, uma história bastante interessante e envolvente por conta de me identificar com o trabalho que a Acipi faz.

Percebe-se a atuação da Acipi além do campo restrito dela, que é o comércio e a indústria A entidade tem uma participação atuante na sociedade piracicabana, como o senhor explica essa presença da associação na cidade?

Embora seja uma entidade empresarial, você tem de pensar como um todo, até porque muito do que a Acipi oferece aos seus associados, é utilizado pelos funcionários das empresas. Todo o serviço, como convênio médico, cursos, escolas, descontos, tanto para a família do empresário, como aos funcionários e suas famílias, então, é envolvido todo um sistema dentro das empresas.

Isso é um ponto importante, pois é preciso estar envolvido com o todo. A partir dessa forma de pensar, temos bastante assunto para a cidade, para a comunidade, para muitas participações. Talvez, seja esse o motivo de a associação estar tão envolvida com os assuntos da nossa Piracicaba. Essa é a forma de você construir algo em conjunto, pois ninguém constrói nada sozinho. Juntos agregamos valores com outras entidades, com o poder público, com a sociedade, enfim, de toda forma essencial e possível.

A Acipi está envolvida em vários projetos e colabora com o que pode. Isso estimula nossa diretoria, o conselho e a equipe interna da Acipi, a estar envolvida em novos desafios, participando de coisas importantes para o município e para a sociedade. E isso é muito gratificante.

O senhor falou em desafios, e quais são os da Acipi para 2020?

Nós temos alguns desafios internos, um deles, que estamos trabalhando, é uma área que adquirimos mais dois outros imóveis ao lado. Com isso, ficamos com 1.300 metros quadrados e o nosso objetivo é construir ali, um espaço para termos o laboratório de varejo.

A ideia é trabalhar em cima desse projeto, que é muito interessante, porque vamos oferecer a todos os associados e funcionários das empresas um laboratório de novas tecnologias e acompanhar toda essa mudança tecnológica que está acontecendo de maneira veloz. As empresas têm que se preparar para a mudança e temos que estar junto acompanhando esse processo. É uma forma de você oferecer a um custo muito menor para que as empresas e funcionários possam participar de todo processo. Então, esse é o nosso objetivo para 2020.

Para que a Acipi consiga fazer tudo isso, ela também precisa passar por uma restruturação contínua e se adaptar a todos esses desafios como entidade. O nosso objetivo é estar na vanguarda para que as empresas acompanhem essa grande mudança que estamos passando.

Quantos associados a Acipi possui?

Temos 5.700 associados entre comércio, indústria e serviços. Temos os três segmentos de associados.

O comércio é um dos termômetros da economia nacional, como o senhor avalia o comportamento do setor nesse período de crise?

Piracicaba tem uma mistificação muito grande no parque industrial dela, como na área de serviço e também no comércio regional. Piracicaba hoje é um comércio regional e você vive toda essa movimentação. O que estamos percebendo já do meio do ano para cá, são vários setores apresentando aquecimento nas vendas.

Isso é um sinal de melhora. São dois pontos: um é que você estanca a queda e depois começa a ter novamente o crescimento. Nós estamos nessa fase. Evidente que em alguns setores são mais rápidos e outros mais lentos

Recentemente a Acipi e outras entidades ligadas ao comércio participaram de uma polêmica quanto a abertura das lojas no feriado. Essa questão foi resolvida?

Nós acompanhamos e, inclusive, esse caso foi para o Tribunal Regional do Trabalho para fazer a mediação, mas até hoje não foi resolvida. Há uma divergência de opiniões entre os dois sindicatos e é uma realidade que todos os envolvidos precisam ter: um olhar para a cidade. Piracicaba é um polo comercial e para chegar a isso levou muitos anos, então todos nós precisamos ter a preocupação de manter patamar.

Se vai funcionar o comércio ou não – a meu ver – acaba gerando dúvidas ao consumidor, que precisamos tratar com muito respeito, além dos funcionários e empresas. Para você abrir o comércio num feriado, precisa se organizar, a empresa precisa se organizar, não é chegar na véspera e não saber se vai abrir ou não. Isso tem de ser com antecedência. Ver a equipe que vai trabalhar, enfim, o funcionário também precisa saber se ele vai trabalhar ou não, para organizar a vida dele.

Outra coisa é o consumidor ficar na dúvida. Parte da cidade não sabe se vai abrir ou não, por outro lado, quando você não abre, as pessoas que vêm para a cidade chegam aqui e o comércio não está funcionando. Isso impacta na imagem do comércio de Piracicaba. Então, é uma responsabilidade muito grande para as partes envolvidas na qual a Acipi também está. É preciso mais diálogo e entendimento dessa nova realidade.

Esses últimos feriados em que foram aberto o comércio, dia 15 e dia 20, foi por conta de uma medida provisória do governo federal, que permitiu que o comércio abrisse,, mas foi de última hora. É um desgaste que estamos passando e que deveria ter sido evitado pelas partes envolvidas.

Qual a perspectiva para o comércio neste final de ano em vendas e contratação de funcionários, em comparação com ano passado?

Normalmente as empresas contratam nesta época do ano, a meu ver, toda essa polêmica atrapalhou um pouco o volume de contratação porque o empresário ficou na dúvida e mais cauteloso. Isso é um ponto. Por outro aspecto, houve contratação, mas poderia ser maior. Há também uma insegurança sobre como vai ser a movimentação e as vendas no final do ano.

Essa liberação do Fundo de Garantia, por parte do governo federal, ajuda, a aquecer, mas ainda, a grande maioria das empresas está cautelosa como encerrará 2019. Estamos sentindo a melhora, vai aquecer a contratação, mas quem tinha de contratar já contratou. Agora dificilmente a pessoa contrata, pois já estamos no início de dezembro.

No final de ano há as tradições que envolvem o Natal e o comércio é um espelho dessas manifestações. Como está a organização de campanhas, a decoração das lojas?

Tem várias coisas que foram feitas. Uma delas é a nossa campanha de prêmios, que fazemos todos os anos e nesse dessa vez, o número de empresas participantes aumentou significativamente. Durante todo o ano realizamos outras campanhas como o Dia das Mães, dos Pais, Namorados e, agora, Natal. Também fizemos um treinamento sobre atendimento para equipes de vendas das empresas com aproximadamente mil pessoas.

Vale ressaltar que esse curso não foi de apenas um dia. Foi de vários dias e abordou vários temas. Os cursos foram oferecidos gratuitamente para os funcionários das empresas que quiseram participar. Esse é outro investimento que a Acipi fez para o comércio da cidade. Tem também a Luz e Arte, que é um evento que há 11 anos realizamos e no qual iluminamos a Ponte Pênsil. Neste ano também haverá a iluminação da Ponte do Mirante e do elevador Panorâmico. Isso dá um brilho especial e estimula que as empresas façam as duas decorações..

Uma outra coisa que estamos fazendo é trabalhar em cima das pessoas que têm pendências com o SCPC, para que elas possam negociar suas dívidas e fazer suas compras mais tranquilamente, voltando para o mercado de consumo.

Esse ano com a Acipi Móvel, também estamos atuando em Santa Teresinha, pois temos um posto de serviço lá. A Acipi Móvel tem ficado em vários pontos da cidade para disponibilizar informações aos consumidores. É interessante analisar que o número de consultas por parte de pessoas, que têm alguma pendência é muito grande, o que significa que nosso trabalho tem facilitado a vida do consumidor.

Uma novidade este ano é a Acipi Consulta. Se a pessoa que é devedora quiser, a Acipi pode intermediar entre ele e o credor para negociar o valor e formas de pagamento. Esse processo facilita para a pessoa que, muitas vezes, tem dificuldades de ir até o credor.

E por esta análise, chegamos a conclusão que fizemos nossa parte para a evolução dos negócios, no entanto precisa que todos setores envolvidos façam sua parte. Só assim será possível

desenvolver as atividades da cidade, porque se você tem um volume maior de negócios na cidade você tem mais empregos, maior geração de renda, arrecadação de impostos é maior e, consequentemente, a prefeitura tem condições de melhorar toda a cidade. É olhar a cidade de maneira holística, como um todo. Não podemos separar as ações.

O senhor tem uma estimativa de aumento nas vendas para este fim de ano em comparação ao ano passado?

É muito difícil sair de uma fase como esta e dar um número assertivo, porém, a gente estima que deve gerar algo em torno de 5% a 6%. É importante salientar que tivemos a abertura de grandes redes de supermercados na cidade. Muitas vezes o setor não sente volume de vendas, mas no todo deve haver um crescimento no comércio da cidade.

Beto Silva

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