Ministério Público instaura inquérito contra vereador

dirceu Denunciante, acompanhada do advogado,prestou depoimento ontem. (Foto: Claudinho Coradini / JP)

A promotora de Justiça Joana Franklin de Araújo determinou a instauração de um inquérito civil para apurar a denúncia contra o vereador Dirceu Alves da Silva, acusado por uma ex-assessora de relações públicas e cerimonial da Câmara de pedir metade do salário recebido por ela Casa de Leis. A portaria que instaurou o inquérito foi baixada no último dia 25 e decretou o sigilo do procedimento.Ontem à tarde, a denunciante T.S.S. e o advogado dela, Homero de Carvalho, foram ouvidos pelos três vereadores que integram a CPEDP (Comissão Permanente de Ética e Decoro Parlamentar) do Legislativo: José Marcos Abdala (SD), presidente;Rerlison Rezende (PSDB) e Adriana Sgringneiro Nunes, a Coronel Adriana (PPS).

A Comissão de Ética tem até o próximo dia 15 (prazo que deverá ser estendido até o dia 19, em razão do feriado) para emitir seu parecer que pode decidir pelo pedido de arquivamento, por advertência ou pela cassação do mandato do vereador. Os trabalhos da comissão continuam na próxima segunda-feira, quando deverão ser ouvidas mais três testemunhas de acusação contra o vereador Dirceu.

Uma dessas testemunhas será outra ex-funcionária da Câmara que teria denunciado Dirceu pela mesma prática ao Ministério Público em 2014. O caso foi arquivado por falta de provas. O advogado de T.S.S. comunicou a promotoria sobre a denúncia anterior e espera que a outra denunciante também seja ouvida no inquérito que acaba de ser instaurado. Carvalho ressalta que a denúncia atual tem embasamento muito maior, uma vez que inclui a gravação do diálogo supostamente travado entre T.S.S. e o vereador Dirceu no momento da suposta divisão do salário.

O advogado requereu ontem ao presidente da comissão de ética para que oficie o departamento administrativo da Câmara e obtenha as imagens de vídeo da sala em que a divisão de salário com o vereador teria ocorrido, no último dia 2 de agosto. Procurado pela reportagem do Jornal de Piracicaba, o presidente da CPEDP informou que decretou a confidencialidade de todos os atos até a conclusão.

O CASO — A ex-assessora da Câmara denunciou o vereador Dirceu no último dia 26 de setembro. Ela disse ter sido assediada pelo parlamentar e relatou que teve que dividir com ele o salário de R$ 3,6 mil. Dirceu teria sido o responsável por indicá-la ao cargo. Ela disse ter dividido o salário em agosto. Foi demitida em setembro, segundo ela por se negar a repartir o segundo salário. Dirceu nega todas as acusações e afirma que irá se pronunciar “no momento certo”.

(Rodrigo Guadagnim)