Moradores ‘adotam’ centro comunitário no Jd. Primavera

Quando a população zela pelo patrimônio, são maiores as chances de sucesso de parcerias com o poder público.E é isso que os integrantes da Associação dos Moradores do Jardim Primavera, em Piracicaba, fazem há 47 anos. Os moradores administram o centro comunitário, na rua Cecílio Elias, 7, há quase meio século e oferecem opções culturais, esportivas e de entretenimento aos habitantes do bairro e até mesmo a moradores de outras cidades. E isso ocorre em uma região carente de lazer. No bairro, esse amor pelo voluntariado passa de geração a geração na comunidade. 
 
Esse é o caso do aposentado Antonio Carlos Machado, 64, que passou a frequentar o espaço desde o início do seu funcionamento, há 47 anos, na companhia do pai Antonio Machado (já falecido). Aos 18 anos, frequentava os bailes, realizados até os dias atuais. “Socialmente é muito bom porque une a comunidade. No bairro não tem opção de lazer”, explicou o aposentado. “Toda minha família tem muito carinho por isso aqui. Frequento sempre, mais para conversar. Em toda a cidade não tem um centro comunitário como esse aqui. É um ambiente bom, não tem violência”, disse Machado. 
 
Segundo Machado, o prédio que abriga o centro comunitário era de propriedade do extinto BNH (Banco Nacional de Desenvolvimento) e foi cedido pela prefeitura à comunidade por 50 anos. O primeiro presidente foi Hélio Cazato, mas os primeiros diretores foram Osvaldo Machia, Moacir Siqueira e José Francisco dos Santos – este ficou 22 anos no comando da entidade. Segundo Machado, o clima é harmonioso. Hoje, o centro comunitário recebe visitantes de bairros próximos, como Vila Fátima, Industrial e Areião, além de habitantes de outras cidades. Funciona das 8h às 22h.
 
Na área coberta ficam o salão – onde são realizados os bailes – e o campo de bocha. Às sextas-feiras cerca de 350 a 400 pessoas prestigiam o baile de forró das 20h até meia noite. Na área externa, ficam a churrasqueira, quadra poliesportiva para prática de basquete e vôlei e o campo de areia. Às segundas e quartas-feiras, 120 mulheres fazem aulas de zumba e pacientes do PSF (Programa de Saúde da Família) – que funciona do lado – fazem aulas de ginástica. Às quintas-feiras, às 17h, são realizadas aulas de karatê. Aulas de artesanato e pintura também são oferecidos à comunidade.
 
Aliás, são os bailes que mantêm o centro comunitário em atividade, informou o aposentado Edson Sartori, 60. Este colaborador trabalha no espaço há 25 anos. “É a minha casa”, ressalta Sartori. O espaço ainda é alugado para festas em geral, aniversários, casamentos e formaturas. A terceira idade também tem vez , pois participa de viagens e de bingo. A comunidade também se une para doar fraldas e medicamentos aos doentes. É a comunidade que ajuda na conservação do espaço. Os moradores também fazem almoço comunitário. “A gente só está em pé pela comunidade que está sempre presente”, disse Sartori. (Claudete Campos)