Mostra Verão Otaku exibe filmes e séries nipônicas por uma semana no CCSP

Animações japonesas serão exibidas no Centro Cultural São Paulo (CCSP) durante a mostra Verão Otaku, que começa nesta terça-feira, 16. O evento ocorre até segunda-feira, 22, na sala Lima Barreto (R. Vergueiro, 1.000, próximo à estação Vergueiro do Metrô). Entre filmes clássicos do gênero como Akira (1988) e Nausicaä do Vale do Vento (1984), e seriados mais recentes como One Punch Man (2015), a mostra se propõe a cobrir mais de três décadas da produção audiovisual nipônica – animes, para os mais íntimos.

Apoiado pela Fundação Japão, o Verão Otaku tem curadoria de Carlos Pegoraro e Célio Franceschet, que pretendem quebrar o preconceito em torno dessas obras. “Por serem animações, já são considerados subprodutos, têm uma aura de serem extremamente populares, mesmo que existam muitos diretores delicados e animes que poderiam ser filmes de arte”, afirma Franceschet, que acredita na diversidade do público da mostra. Para ele, os espectadores não devem se limitar aos iniciados. “A gente mesclou bem coisas novas e antigas, um título convida a pessoa a assistir aos outros. Às vezes, ela vem por causa de Akira ou Nausicaä, um público mais adulto que viveu os anos 1980 e 90 na era dos animes, e tem o público mais jovem que vai vir por causa de One Punch Man e descobre títulos mais desconhecidos como Re:Cyborg 009”, completa.

Chamariz da mostra, o clássico Akira, de Katsuhiro Otomo, foi um dos grandes responsáveis pela popularização dos animes no Ocidente e retrata, em uma história que se passa em 2019, após um desastre nuclear, os temores da sociedade japonesa após a bomba. Outros destaques da mostra são as animações de Hayao Miyazaki anteriores à fundação de seu Studio Ghibli (conhecido, entre outros, por A Viagem de Chihiro, Oscar de melhor animação em 2002). O Castelo de Cagliostro (1979) conta a história de um ladrão que descobre ter roubado cédulas falsas e parte em busca da origem desse dinheiro. O pós-apocalíptico Nausicaä do Vale do Vento faz uma crítica ácida ao militarismo e ao imperialismo, com uma mensagem ambiental bem clara, em um universo que mescla criaturas fantásticas e conceitos de ficção científica.

É curioso notar que a seleção das obras compila algumas animações relevantes historicamente para o gênero e outras que retratam o cenário contemporâneo, mas restringe títulos populares entre o público brasileiro. Essa escolha, não totalmente proposital de acordo com os curadores, fica evidente pela ausência de trabalhos das décadas de 1990 e 2000, quando os animes explodiram no País graças a nomes como Saint Seiya (que foi ao ar entre 1985 e 1990 no Japão, mas virou febre no Brasil sob o título de Cavaleiros do Zodíaco após estrear na Rede Manchete em 1994) e Dragon Ball Z (1989-1996). Franceschet recorda que cogitou incluir essas obras, mas deu prioridade a animes menos conhecidos como Usagi Drop, sobre a relação improvável de pai e filha entre Daikichi, um rapaz de 30 anos, e Rin, uma menina de 6 anos que é rejeitada pela família e acaba sendo adotada por ele. Os 11 capítulos do anime serão exibidos em sequência no domingo, 21.

A exceção em relação à popularidade no Brasil talvez seja One Punch Man, que já é um fenômeno por aqui e terá seus 12 capítulos “maratonados” no sábado, 20. Baseada no mangá homônimo de One, a série tem uma segunda temporada confirmada, mas ainda não conta com data de lançamento. O anime humorístico que satiriza o fenômeno dos super-heróis é protagonizado por Saitama, um rapaz comum que decide se tornar um justiceiro. De tanto treinar, perde seus cabelos. Careca, vestindo capa e colante, ele se torna tão poderoso que derrota qualquer oponente com apenas um soco. Mas a narrativa explora não o lado aventuresco das histórias de heróis, e sim o drama da tediosa vida de um homem em busca de desafios à sua altura. Daí o título.

Os outros animes que serão exibidos durante a mostra são os filmes Patema Invertida, O Garoto e o Demônio, Gantz: O e Re:Cyborg 009.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.