Motivos que podem afetar o desempenho escolar

escola Problemas familiares e na própria escola podem prejudicar aprendizagem. (Foto: Freepik)

Os pais, na maioria das vezes, desejam que seus filhos sejam excelentes alunos, que aprendam rápido, que tirem notas altas e tenham um bom comportamento na escola, entretanto, a expectativa e a realidade podem ser bem diferentes. Isso, porque o processo de aprendizagem é influenciado por vários fatores, como o ambiente escolar e familiar, o tipo de método de ensino, os traços de personalidade da criança ou do adolescente, o comprometimento com os estudos e, claro, por alguns transtornos que podem surgir e afetar o processo de aprendizagem e a vida escolar.

“O processo de aprendizagem é influenciado por diversos aspectos. Antes de culpar a criança ou o adolescente pelo mau desempenho na escola, procure conversar e entender o que está acontecendo”, orientou a neuropediatra Andrea Weinmann. A profissional listou motivos que podem estar por trás de um mau rendimento escolar. Confira:

1 — Problemas familiares: O ambiente familiar interfere diretamente na vida escolar. A criança pode apresentar problemas na escola relacionados à dinâmica familiar, como separação dos pais, morte de um parente próximo, perda de um animal de estimação, mudança de cidade, violência doméstica, pais com problemas emocionais, chegada de um irmão, entre outros.

O que fazer: Conversar com a escola, conversar com a criança e procurar entender quais fatores podem estar influenciando as dificuldades da criança na escola. Caso a criança apresente sinais de estresse, depressão ou ansiedade, também é válido procurar ajuda de um psicólogo infantil ou ainda de um neuropediatra, dependendo da gravidade do quadro.

2 — Problemas na escola: Nem sempre a escola que os pais decidiram matricular a criança é a ideal para o perfil dela. Ou seja, o método de ensino pode afetar o processo de aprendizagem. Mudanças de série, como a ida para o ensino fundamental e médio também são aspectos que podem interferir no desempenho escolar. É preciso ainda levar em consideração o relacionamento da criança/adolescente na escola. Será que há situações de bullying, por exemplo?

O que fazer: Os pais precisam avaliar todos os aspectos e conversar com a escola. Caso a criança já tenha idade para entender as situações, vale também pedir a opinião dela sobre a escola e checar se ela não está passando por agressões no ambiente escolar, assim como avaliar a troca de escola.

3 — Transtornos de Aprendizagem (TA): Estima-se que 6% das crianças em idade escolar apresentam algum Transtorno de Aprendizagem, sendo a dislexia o mais prevalente e conhecido de todos. Os transtornos de aprendizagem são condições neurobiológicas que afetam a aquisição e o desenvolvimento de funções do cérebro relacionadas à aprendizagem. A dislexia, por exemplo, fará com que a criança ou adolescente apresente dificuldades na leitura, pois não consegue identificar as letras com precisão e velocidade suficientes para formar as sílabas. Outro TA comum é a discalculia, que gera dificuldades para aprender números e operações matemáticas em geral.

O que fazer: Procurar um neuropediatra para o diagnóstico. Vale ressaltar que crianças que apresentam algum transtorno de aprendizagem, no geral, têm um quociente de inteligência normal. Isso significa que elas têm a capacidade de aprender assegurada, porém necessitam de recursos diferenciados e acompanhamento adequado para desenvolver seu potencial.

4 — Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): O transtorno, infelizmente, afeta muito o processo de aprendizagem, o comportamento e a interação social na escola. Segundo um estudo brasileiro, a área mais prejudicada é a escrita, seguida da matemática e da leitura. Outro ponto é que os transtornos de aprendizagem, tais como a dislexia, são muito prevalentes em crianças com TDAH.

O que fazer: O diagnóstico do TDAH é confirmado por volta dos 6 anos, idade em que a criança entra no ensino fundamental, e pode ser feito por um neuropediatra. O processo de aprendizagem requer um acompanhamento especifico, além de terapias que possam ajudar a criança a explorar seu potencial, respeitando suas limitações.

5 — Altas habilidades: Anteriormente chamado de “superdotação”, são as crianças que possuem um QI acima da média, entre outras características. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 5% da população tem altas habilidades. A questão é que tanto os pais quanto a escola podem ter dificuldade em reconhecer um aluno com altas habilidades. Outro ponto é que nem sempre a criança terá boas notas, principalmente quando o assunto se tornar desinteressante para ela. A curiosidade é uma característica marcante da superdotação. Ela aprende rápido, gosta de conviver com adultos, adapta-se muito fácil a situações novas, tem habilidades nas artes e pode ter um desempenho escolar ruim, porque, dependendo do método de ensino, não consegue se sentir motivada a aprender.

O que fazer: Os pais devem procurar especialistas na área, como um neuropediatra, para uma avaliação da criança. Será preciso procurar escolas preparadas para crianças com altas habilidades ou ainda adotar outras estratégias que podem ser usadas para melhorar o processo de aprendizagem.

6 — Distúrbios do sono: A insônia afeta drasticamente o processo de aprendizagem. Uma criança ou um adolescente que não dorme ou dorme pouco pode apresentar vários comprometimentos na memória, atenção e concentração. Além disso, a privação do sono aumenta a irritabilidade, pode tornar o comportamento do estudante inadequado na sala de aula ou ainda causar problemas nas relações com colegas e professores.

O que fazer: O ideal é procurar um neuropediatra para avaliar a insônia e tratar a condição, que na maioria dos casos irá envolver mudanças de comportamento e estratégias para uma boa higiene do sono.

(Da Redação)