Mulheres quebram preconceito e desafiam idade e limitações

Há dois anos e meio, Luciane Aparecida Santos Teixeira recebeu um convite da filha para treinar kickboxing. A auxiliar administrativa, hoje com 51 anos, sempre gostou de esportes e aceitou o desafio. Na primeira das três aulas experimentais que fez, confessou: “Achei que iria sofrer um piripaque (risos)”. Apesar da dificuldade inicial, Luciane persistiu. A amiga Vera Alice Dressano Sarto, seis anos mais velha, começou a treinar logo depois. Além da batalha pela saúde e condicionamento físico, ambas superaram desafios proporcionados pela idade.

 

Na última terça-feira (20), o esforço de Luciane e Vera foi recompensado: elas foram graduadas com a faixa amarela de kickboxing pelo professor Julio Costa, responsável pela academia Brock Team Fighters. “A graduação é uma vitória que nos enche de orgulho. Cada vez mais, queremos treinar e chegar ao nosso limite. As meninas (colegas de treino) são bem mais novas que nós e acredito que isso pode servir de exemplo. É uma motivação para ir mais longe”, disse Vera, que é dona de casa.

 

Luciane vai além. A auxiliar administrativa diz que quebra preconceitos ao praticar uma arte marcial após a casa dos 50 anos. “Não é apenas porque somos mulheres, mas o preconceito existe também na cabeça de pessoas que se resguardam e pensam que não podem praticar esportes pela idade avançada. Aqui, nós nos encontramos. Temos o nosso limite, mas a gente consegue superar inclusive as meninas bem mais novas que nós (risos)”, brincou. Luciane e Vera concordam que o papel do professor e a aceitação do grupo foram fundamentais para a adaptação.

 

CONTINUIDADE

 

“Eu me senti tão bem aceita desde o início e meus limites foram tão respeitados que isso me incentivou a continuar. Depois que comecei a praticar o kickboxing, mudei completamente. O meu objetivo é continuar praticando. Cada vez que venho treinar, encontro um exercício diferente”, contou Vera. A amiga também estabelece como única meta a continuidade no esporte, sem pretensão de participar de competições ou ainda de atingir uma alta graduação. Para Luciane e Vera, valem as conquistas pessoais.

 

“É algo que realmente nos enche de orgulho. Quando converso com alguém da minha idade e comento que estou fazendo kickboxing, as pessoas ficam com medo, perguntam se nós lutamos, mas não é nada disso. No início, eu tinha que parar no meio dos exercícios, não conseguia completar as atividades. Mas, pouco a pouco, fui conseguindo acompanhar o ritmo. A evolução depende da nossa disposição para superar os desafios e também do professor, que sabe conduzir os treinos, passa confiança e aumenta a motivação. A idade não é nenhum limite”, completaram.