Mulheres unidas contra a reforma da Previdência

Neste 8 de março, vamos mostrar a força das mulheres unidas contra a reforma da previdência de Bolsonaro. A Emenda Constitucional nº 6/2019, que Jair Bolsonaro encaminhou para a Câmara dos Deputados prevê que a idade mínima para aposentadoria será de 65 anos para homens e de 62 para mulheres. No caso do magistério, iguala a idade mínima de professores e professoras em 60 anos.

Entretanto, há um diferencial sobre as mulheres trabalhadoras na qual muita gente não presta atenção: elas trabalham muito mais que os homens.

A sociedade impõe às mulheres, quase exclusivamente delas, tarefas domésticas, além do trabalho profissional que realizam fora de casa. E não nos esqueçamos do grande número de mulheres que são chefes de família, criando seus filhos sem nenhuma ajuda.

De acordo com a análise de dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2017, as mulheres trabalham em média 5,4 anos a mais que homens em 30 anos, quando somamos seu trabalho profissional com as tarefas domésticas. E não ganham nada mais por isso.

Por isso, é justo que as mulheres se aposentem cinco anos antes que os homens. No caso das professoras, além desta situação de dupla ou tripla jornada de trabalho, ainda há a agravante de que não possuem apenas um local de trabalho. Para compor a sua jornada e melhorar os baixos salários, elas têm que ministrar aulas em 4, 5 e até 6 escolas, algumas delas distantes. Além do mais, as condições de trabalho são ruins e ainda existe o problema da violência, fora o desgaste natural da profissão.

As professoras e os professores precisam se aposentar mais cedo porque é uma profissão muito estressante. Cada um e cada uma é responsável por ensinar centenas de estudantes todos os anos, elaborar e corrigir milhares de provas. E quando se trata da escola pública, a situação se agrava, por causa das condições de trabalho. E todos adoecem com uma frequência impressionante. No caso das professoras, devem se aposentar ainda 5 anos que os professores, pelas razões que já apontei anteriormente.

Por isso, a proposta de Bolsonaro/Paulo Guedes de aposentar as professoras e os professores aos 60 anos, sem nenhuma diferenciação, é criminosa.

Defendemos a aposentadoria diferenciada para professoras aos 50 anos e para professores aos 55 anos. É justo e é direito.

Nesse 8 de março, estaremos nas ruas para defender o direito à aposentadoria para as mulheres, bem como um conjunto de direitos e necessidades que hoje correm riscos ou já estão sendo retirados.

Juntas, vamos mostrar a força das mulheres unidas contra a reforma da previdência de Bolsonaro.