Muro que separa Santa Rita pode ser derrubado

Moradores protestaram ontem contra obras na avenida Concepcionistas. (Claudinho Coradini/JP)

Em meio a novos protestos envolvendo o muro construído no bairro Santa Rita, para transformar o bairro em um condomínio fechado, a Prefeitura de Piracicaba encaminhou resposta ao Jornal de Piracicaba por meio da qual já admite a possibilidade de o paredão que divide a região ser removido. A questão, informou a prefeitura, é saber quem se responsabiliza pela execução da sentença, ou seja, a derrubada do muro e a remoção dos entulhos. A polêmica se estende por uma década.

Ação popular movida por moradores contrários à construção do muro transitou em julgado (não cabe mais recursos) em junho deste ano no Supremo Tribunal Federal, após decisão monocrática da ministra Carmem Lúcia Antunes Rocha. O processo foi encaminhado ao Fórum de Piracicaba, onde começa a ser debatida a execução da sentença.

A ação foi movida contra a prefeitura, contra a Associação de Moradores do Bairro Santa Rita, contra o prefeito e secretários municipais da época. A prefeitura respondeu,por meio de uma nota do CCS (Centro de Comunicação Social), que “o cumprimento da sentença tem que ser promovido pelos autores [da ação]”.

A administração informou ainda que “a Associação [dos moradores do bairro Santa Rita] e os autores estão buscando entendimento, no sentido da manutenção dos muros, sem prejuízo do acesso. Vai depender de uma reunião a ser realizada”, traz a resposta, que permite concluir que mesmo se o muro for mantido em sua quase totalidade, seria promovida a abertura no trecho da via que divide as duas áreas do bairro.

Ontem à tarde, os moradores promoveram um protesto no final da avenida Concepcionistas. Isso porque foi iniciada pela prefeitura a construção de um retorno em forma de “meia-lua” ao final do trecho da via que termina próximo ao muro, do lado fora do cercamento.A abertura da avenida ainda está sendo analisada, informou a prefeitura.

Caso o muro fosse retirado, a avenida serviria como acesso principal dos moradores a bairros como Dois Córregos ou mesmo ao Centro da cidade. “Se estão fazendo essa obra é sinal de que não irão abrir o muro”, questionou o professor Fábio Leissmann, uma das lideranças dos moradores presentes. O vereador Lair Braga (SD) esteve no local e disse considerar o muro uma “segregação de classes sociais”. “Se as pessoas querem morar em condomínio fechado, que comprem uma casa dentro de um. Se essa moda de fechar bairro pega, onde iremos parar?”, disse o parlamentar.

(Rodrigo Guadagnin)