Muros dividem espaços e opiniões no Santa Rita

muro Nem todos concordam com o fechamento do bairro. Claudinho Coradini/JP

Nem todos concordam com o fechamento do bairro. (Claudinho Coradini/JP)

 

Os muros que cercam o bairro Santa Rita não separam apenas o bairro dos demais núcleos habitacionais vizinhos. As opiniões também são divididas entre manter e retirar as barreiras construídas há de uma década. De um lado, moradores que são contrários a transformação do bairro em um condomínio fechado, de outro a Associação dos Moradores do bairro Santa Rita, no meio da questão, uma ação popular com pedido de liminar ajuizada por 88 moradores tramita na Justiça. Em 2010, a juíza Fabíola Giovanna Barrea julgou o pedido procedente, determinando a derrubada do muro e a retirada dos escombros pela Prefeitura. A decisão foi recorrida e não houve solução até o momento.

Para o comerciante Expedito Barbieri, 75, dos quais 20 deles morando no bairro, o fechamento é um absurdo. Além de o bairro ter moradores que não têm condições de pagar taxas de condomínios, ele cita a dificuldade de locomoção das pessoas se tornou um problema. “ Estamos ao lado do hospital e para ir até lá é preciso dar uma volta em vários quarteirões”, contou apontando para o Hospital Regional “Dra. Zilda Arns”, ao lado do bairro.

As moradoras Neide Maria de Andrade e Celina Valério também se posicionam contrárias à transformação do bairro em um condomínio. Residentes há dois anos no santa Rita, elas questionam a existência de um plebiscito sobre a questão “ O acesso está totalmente restrito e complicado, para sair do bairro eu andava um quilômetro, hoje ando três”, exemplificou Celina.

Na ação, a prefeitura e a a associação dos moradores são citadas e responsabilizadas para a demolição e retirada dos entulhos dos muros. Em sua defesa, a prefeitura na ação que atendeu ao pedido de formação de um condomínio feito pela associação em 2007. A administração justificou que a solicitação foi processada de acordo com lei municipal e houve ampla discussão, reuniões estudos de diversas secretarias municipais, entre elas, a Sedema (Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente), Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte), Procuradoria Geral, Ipplap (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba) e Secretaria Municipal de Obras.

Já os reflexos sobre o trânsito, foram – segundo a prefeitura – cuidadosamente avaliadas, com sucessivas propostas do Departamento de Engenharia e Tráfego e da associação dos moradores, que culminaram na alteração do projeto, de forma a não comprometer a circulação dos bairros do entorno. A ação tramita na Justiça há dez anos e ainda não houve desfecho. A Associação dos Moradores do Bairro Santa Rita foi procurada para comentar o assunto mas até o fechamento desta matéria não havia retornado às ligações.

 

(Beto Silva)