Música para a alma, alma para a vida

Hoje, às 15h, as crianças e adolescentes da Escola Municipal Professora Olívia Caprânico, no bairro Mário Dedini, vão vestir suas melhores roupas ou não. Vão pentear os cabelos com esmero ou não, mas com certeza vão lembrar as mães, pais e amigos de um compromisso especial: a audição de encerramento do ano do projeto Pequena Grande Orquestra. Um projeto social desenvolvido pela OSP (Orquestra Sinfônica de Piracicaba), em parceria com a SME (Secretaria Municipal de Educação). Por favor, aplausos! Os detalhes do evento você, caro leitor, pode ler na página C 1 desta edição. Posso adiantar apenas é que 40 alunos do primeiro ao quanto ano do ensino fundamental frequentam aulas semanais de violino. Os 17 primeiros instrumentos do projeto – iniciado em outubro do ano passado, que foram comprados com uma ‘vaquinha’ feita pelos músicos, mas agora já são 40 violinos.

A OSP quer mais, quer que a música seja mais que uma atividade escolar, se torne um estudo sistemático em prol da formação, em curto prazo, de orquestras infantil e juvenil em várias comunidades locais. Porém, isso é o que se quer objetivamente, porque a música – assim como o esporte e as artes em geral – podem fazer mais pelo ser humano.

A música é com certeza uma forma de oração, um canal de inspiração divina que eleva o espírito humano, muda a vibração e nos melhora. Por ela, enxergamos com os olhos da alma e melhoramos a vida, que pode ser a nossa ou do próximo.

Ainda não damos o devido valor à música seja por ignorância ou por pura displicência, assim como fazemos com outras formas de arte e/ou a matemática, por exemplo. Contudo, o poder de tocar corações e mentes que uma composição tem é algo tão extraordinário, que colocar em palavras é decepar centenas variações dos sentimentos que é capaz de provocar.

Crianças podem encontrar inspiração, força, história, disciplina, espaço criativo e amor, muito amor no contato com um violino ou outro instrumento musical. A própria voz é o instrumento primeiro que Deus nos deu. Há música no vento passando pelas árvores, no respirar de um bebê que dorme no berço, no movimento das ondas do mar. Há música nas crianças, como bem mostrou Egberto Gismonti na sua composição “Palhaço”, mas essa é apenas uma gota num oceano de ritmos, instrumentos, sons, combinações e inovações. Em se falando de música, a única coisa em que não se pode pensar é limitação.

(Alessandra Morgado)