Não sabe qual profissão escolher? A orientação vocacional pode te ajudar

educação Para Natália, a orientação vocacional foi além da escolha profissional. ( Fotos: Claudinho Coradini / JP)

 

educação
Ana Carolina garante que orientação vocacional também permite auto reflexão.

 

Para muitos adolescentes o momento da escolha da carreira é motivo de insegurança

Chegou a hora de escolher qual carreira seguir, mas de repente todas aquelas oportunidades à frente se transformam em um emaranhado de dúvidas. Quer partir para a área da saúde, mas não pode ver sangue? Descarta. Quer seguir a área da engenharia, mas não suporta cálculos? Descarta. E é nesse momento que muitos jovens entram em crise de ansiedade e precisam da ajuda. A orientação vocacional tem sido uma alternativa cada vez mais procurada por jovens para que possam descobrir quais são suas aptidões. E essa orientação deve ser feita por profissionais gabaritados.

De acordo com a psicóloga e especialista em orientação vocacional/profissional, Ana Carolina Carvalho Pascolaete, a orientação vocacional/ profissional é um processo que proporciona a possibilidade de ajudar os jovens a direcionar suas escolhas, de maneira assertiva para a profissão. ‘O trabalho realizado com eles, estimula-os a se conhecerem como indivíduos inseridos em um contexto social, econômico, cultural e permite aos jovens maior adaptação a vida cotidiana, no sentido de evitar frustrações por escolhas profissionais que não favoreçam suas potencialidades‘, explica

A orientação vocacional/profissional contempla várias reflexões que vão desde informações sobre o mercado de trabalho e as necessidades do país, até como refletir sobre si mesmo como analise de suas características, exploração de sua personalidade e aprendizado para escolher e abordar as situações conflitivas. ‘Por meio desse processo, os indivíduos se conhecem melhor, percebem suas identificações, características e singularidade, ampliam e transformam sua consciência e obtêm melhores condições de organizar seus projetos de vida‘, ressalta.

A especialista explica que a orientação vocacional é realizada por meio de entrevistas, dinâmicas de grupo, pesquisas, testes psicológicos de uso exclusivo dessa categoria profissional, que devem constar no Satepsi (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos), tendo seu uso liberado. Os testes serão de escolha individual de cada profissional de acordo com suas preferências e capacitação.
A MELHOR OPÇÃO
A estudante Natália Viana Silva, 16, optou pela orientação vocacional para ajudá-la a descobrir suas habilidades. ‘Eu estava numa dúvida enorme sobre qual área do conhecimento combina mais com a minha personalidade. Então procurei auxílio profissional para me tranquilizar, até mesmo para eu me aprofundar mais naquilo que desperta meu interesse‘, diz.
Natália afirma que procurou ajuda, pois seu irmão mais velho também havia feito esse tipo de orientação. ‘Sempre tive em mente a carreira que eu queria seguir, mas percebi, por meio de pesquisas, que aquilo não era o suficiente para me dar segurança de que era realmente aquilo que eu passaria a me dedicar pelos próximos anos. Por isso, entrei em uma reflexão e decidi ampliar minhas opções. Isso causou-me conflitos internos. E agora? Qual irei escolher? Foram essas situações-limite que me deram dor de cabeça‘, ressalta.

Para a estudante, a orientação vocacional foi além de uma escolha profissional. ‘Eu não só tomei uma direção em relação a universidades e profissões, como aprendi a reconhecer minhas habilidades e ampliar minha autopercepção. Eu diria que não foi só uma orientação vocacional, foi um autoconhecimento, foi tirar um peso das costas‘, garante.

Para Artur Caresia Munerato, 21, estudante do terceiro ano de publicidade e propaganda, a orientação vocacional o ajudou na escolha e no alinhamento de objetivos que ele desenvolve até hoje. ‘Na época não sabia exatamente o que queria, e sentia como se minha escolha de carreira fosse afetada por influências externas (principalmente escola)‘, disse.
Atualmente ele trabalha com marketing digital e garante que vale a pena passar por essa experiência. ‘É algo completamente diferente do que há disponível na inter

net. O teste que foi realizado comigo foi extremamente profundo. Chegamos a um ponto que fizemos até testes e trabalhos sobre atenção, personalidade. Mergulhei de cabeça e sou satisfeito hoje em dia‘, garante.

APOIO FAMILIAR
De acordo com Ana Carolina, ao longo da vida várias decisões profissionais são tomadas e podem gerar impacto na carreira e na vida pessoal do indivíduo. ‘A primeira grande decisão é na adolescência, quando o jovem deve decidir por qual profissão seguir. Em geral a sociedade prepara pouco o adolescente para essa decisão. A família, a escola e a sociedade cobram do adolescente uma decisão com relação ao seu futuro profissional‘, diz.

Escolher uma profissão não esta somente na decisão do curso ou universidade cursar, mas principalmente decidir ‘quem ser‘. Escolher uma profissão é escolher um estilo de vida, um modo de viver. Raramente os adolescentes se dão conta de que essa decisão abrange muito mais do que o curso universitário, vão escolher uma ocupação, o tipo de ambiente que vão trabalhar uma rotina ao qual estarão sujeitos, os colegas de trabalho que se relacionarão um piso salarial. E é a partir da análise de todos esses fatores essenciais que se inicia uma decisão madura e consciente.

Os pais desempenham um papel de grande influência no que diz respeito à escolha e à tomada de decisão vocacional dos filhos. Neste âmbito, cada vez mais se aceita e promove o seu envolvimento no processo de orientação escolar e profissional. ‘Algumas variáveis familiares parecem exercer grande impacto na escolha e tomada de decisão dos jovens, nomeadamente: as expectativas dos pais quanto ao futuro acadêmico e profissional, o nível socioeconômico, o nível acadêmico dos pais e a qualidade da relação/ vinculação entre pais e filhos‘, explica.

Ana Carolina informa que é importante mencionar que ao final do processo de orientação nem todos conseguem definir a profissão que pretendem seguir. Alguns podem chegar a definir a área, outros a restringir consideravelmente o número inicial de opções, chegando a duas ou três. ‘O avanço do processo de escolha depende de vários fatores que vai desde a etapa do processo de escolha em que encontra o adolescente no inicio da orientação vocacional/profissional, de seu nível de maturidade para decidir, de sua estrutura de personalidade, dos conflitos envolvidos em seu processo de decisão, dentre outras questões que possam surgir‘, informa.

É necessário respeitar o tempo e o ritmo de cada adolescente. Assim como a participação dos pais nesse processo pode ser muito significativa, quando ajudam os filhos nas pesquisas sobre as diversas profissões, mercado de trabalho, refletir com os filhos esse processo ajuda demasiadamente, desde que consigam deixar a decisão exclusivamente para o filho, sem que influencie, para evitar impactos nos projetos de vida dos filhos que propiciem frustrações futuras.

(Da Redação)