Narcolepsia A patologia que adormece o indivíduo sem aviso prévio

Ana Carolina Carvalho Pascoalete

Muito comum ouvir queixas da população sobre transtornos do sono relacionados ao intenso estresse que as pessoas vivem em suas rotinas. Esses distúrbios também estão associados a diagnósticos psiquiátricos de transtornos mentais. E de todas as alterações relacionadas ao sono, vale evidenciar a narcolepsia, ainda pouco conhecida pela população e que pode ser desencadeada por um contexto de estresse acentuado, ou alguma queda imunológica viral.

A narcolepsia é uma doença caracterizada por alterações irreversíveis de sono, episódios temporários de fraqueza muscular, paralisia do sono e alucinações que ocorrem durante o adormecer ou depois do despertar. O sono intenso pode ocorrer algumas vezes durante o dia, sem que a pessoa apresente qualquer controle, em situações diversas, como no trabalho, dirigindo ou se alimentando, por exemplo. E após rápidos “cochilos” os pacientes relatam sentir-se descansados para dar continuidade a sua rotina.

Essa patologia é desencadeada pela diminuição ou falta de um grupo de células na região do hipotálamo, chamada hipocretina – responsável por manter os indivíduos acordados – e a cataplexia responsável por episódios de atonia(inércia),quando uma forte emoção causa perda de força muscular e te faz cair como uma boneca de pano, junte isso com sonhos alucinatórios, paralisia do sono, alucinações aterrorizantes e, paradoxalmente, sono noturno fracionado. São sintomas específicos, mas que podem não aparecer em todos os casos. Não há cura. Ainda.

Os episódios podem gerar perda de tônus musculares, com sensação de fraqueza no corpo todo ou em regiões específicas e, geralmente, são desencadeadas por reações emocionais como susto, medo, choro e risadas.

Com os ataques de sono irreversíveis essa patologia ocasiona uma série de problemas na vida social e profissional e os portadores sofrem preconceito com estigmas de serem preguiçosos, apresentam baixo rendimento em suas diversas atividades que agravam os sintomas no contexto de estresse aumentado.

Apesar de uma doença frequente que atinge uma a cada 2.500 pessoas no mundo, muitos profissionais da saúde ainda não estão preparados para diagnosticar e, muitas pessoas que apresentam o quadro em questão, são tratadas como portadores de outras doenças psiquiátricas. Em muitos casos esses pacientes são diagnosticados com epilepsia, o que dificulta ainda mais o tratamento correto da narcolepsia.

Com o diagnóstico acertado o tratamento inclui algumas medicações que devem ser avaliadas pelo neurologista de acordo com a necessidade de cada paciente e psicoterapia, para lidar com as limitações causadas na vida do indivíduo.