Nas garras da sociedade

Quando uma operadora de filmes diz: “assista esse filme”, quando uma rede social diz: “essa é a vida perfeita”, quando outra rede social posta: “esse é o corpo que toda mulher e homem devem ter”, quando alguém publica uma imagem ou uma determinada frase e, com toda certeza desse mundo, tenta persuadir que aquela é a verdade absoluta, qual sua reação? Qual seu próximo passo?

Hoje, está “claro” (infelizmente para muitos), qual é o padrão de vida, de beleza. Mas… quem disse que tem que ser assim? “Estão dizendo” que você tem que ter determinado aparelho de celular hoje e daqui há alguns dias vão te dizer que você precisa ter outro, que você tem que fazer determinada viagem. Sim, mas… quem disse? Por que esse ou aquele tem que ser o caminho correto? Apenas porque alguém ou alguma mídia disse?

Consta nos livros de história que a abolição da escravidão no Brasil foi em 1888. Sim, acabou uma mas iniciou outra, sob nova face.

Sorria, você está sendo manipulado”. Tenho uma profunda admiração por pessoas que rompem com isso. Por dois motivos: 1) Mostram que são livres; 2) São sábias, porque a liberdade é o único caminho para a felicidade.

Liberdade verdadeira não é poder fazer tudo o que se quer e sim ter a possibilidade real, responsável e consciente de fazer o que precisa ser feito, da melhor maneira.

Nossa sociedade está morrendo aos poucos e pouca gente está percebendo… A maioria das pessoas não possui um propósito de vida. Elas possuem desejos físicos e materiais ou até ideais políticos. Não que esteja errado, mas não deve ser o foco, a prioridade ou a única coisa a ser almejada. O amor próprio está em decadência, enquanto a internet “domina” o emocional de escravos digitais.

Pois bem, falta de propósito… A cada 40 segundos alguém tira a própria vida. Essa é a última estatística de um ser humano, enquanto os nossos jovens estão sem esperança, muitas vezes morando na mesma casa que os pais, mas abandonados por eles a poucos metros de distância. Esses dias li uma reportagem sobre um jovem que se matou e na carta que deixou ele desabafou: “um vai ficar tudo bem pode mudar a vida de uma pessoa…” Isso, uma atenção, uma palavra, um “vai ficar tudo bem” que eu e você às vezes deixamos de dar para alguém que precisa, pois estamos bastante atarefados em nossas doses de manipulação diária.

Que triste a vida de tantos que infelizmente chegam à ansiedade, ao stress, ao pânico, à depressão e ao suicídio. Vida de muita gente que pode estar vivendo superficialmente e nas “garras” do que a sociedade impõe.

É bem pertinente, nessa linha, o que escreveu Augusto Cury: “Estamos mórbidos e cronicamente insatisfeitos. A indústria do entretenimento explode desenvolvimento e a indústria dos tranquilizantes explode em crescimento.”

Aristóteles, grande filósofo, nos lembra: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.” Infelizmente, nossa sociedade também combate isso, uma vez que aceitar e curtir o que vai aparecendo pela frente é mais cômodo do que refletir e conhecer melhor quem somos e o que realmente precisamos.

As pessoas estão vivenciando um crescente e assustador caos interno, causado pelo distância que estão delas mesmas e agravado pela obediência às ordens de uma sociedade manipuladora.

Qual sua reação? Qual seu próximo passo?

Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”. (1 Coríntios 6:12)

Francisco Ometto Júnior

Professor e Psicanalista