Natais

 

José Faganello

“A criança é o pai do homem.” (Wordsworth)

A festa do Natal comemora o nascimento de Jesus. Foi o papa Julio I que fixou 25 de dezembro aos festejos para competir com a tradição popular, arraigada de celebrar o deus persa Mitra, ligado ao Sol que com seu calor desenvolvia a agricultura e preservava a vida. Não se sabe exatamente a data em que, segundo as escrituras, Jesus teria nascido num estábulo e colocado numa manjedoura. Lá teria recebido a visita de pastores que foram avisados pelos anjos. Visitaram-no também, segundo a tradição, os chamados reis magos. Três foram citados: Belchior, vindo de Ur na Caldéia, deu-lhe ouro, símbolo da realeza; Gaspar, saindo de perto do Mar Cáspio, trouxe-lhe incenso, símbolo da divindade e Baltazar, do Golfo Pérsico, trouxe-lhe a mirra, representando sua humanidade.

Foi São Francisco de Assis que em 1223 fez o primeiro presépio para representar esse nascimento. Às ordens religiosas coube sua divulgação e à aristocracia as montagens grandiosas. O ciclo do Natal vai de 24/12 a 06/01 quando se comemora o chamado Dia de Reis.

Com o correr dos tempos o Natal, de início cheio de religiosidade e misticismo, sofreu modificações, como a árvore do Natal representada pelo pinheiro, porque suas folhas sempre verdes representam a vida. As velas antes, depois as luzes simbolizam a boa vontade e a receptividade demonstradas nas trocas de presentes.

A comida, anteriormente com destaque na carne, rara na época, era uma maneira de reverenciar condignamente o Deus nascido.

Esses simbolismos foram esquecidos, mas a troca de presentes e as comilanças permaneceram e fizeram com que esse seja um período farto, tanto em festejos de grandes grupos, como nos lares modestos. Foi incluída também, atualmente uma figura preponderante, o Papai Noel.

Resgatar o fervor religioso no momento é inviável, no entanto, seria valiosíssimo se essa data passasse a cultuar a importância dos filhos.

Eles serão o futuro. Futuro que grande parte dos pais talvez não alcance, mas é em seus filhos que estará o prolongamento de suas estirpes e o destino do planeta.

A humanidade depara-se com um dilema crucial: como melhorar o seu conforto, aumentar sua riqueza, a produção de bens, que mantém os empregos, sem agredir o planeta, sua morada?
O homem que conseguiu desenvolver espantosa tecnologia, infelizmente ainda deixa-se levar por sentimentos altamente destrutivos, como a raiva, a inveja, a corrupção a não aceitação da diversidade, sentimentos esses que provocam a imperdoável violência.

É evidente, que se houvesse um real esforço conjunto para aparar as arestas dos interesses opostos e, que fossem compartilhados os avanços tecnológicos, haveria como se conseguir uma vida melhor para todos e um progresso autossustentável, além da paz.

Isso não se faz da noite para o dia. Porém, é necessário começar e o melhor caminho é iniciar pela educação de nossas crianças e jovens.

Precisaria surgir um êmulo do Papa Júlio I, aquele que conseguiu desbancar a festa do deus Mitra, substituindo-a pelos festejos natalinos. Esse desejável personagem teria como missão convencer pais, professores e autoridades de que educar os jovens é a chave para se ter um mundo melhor. O problema essencial, portanto, é, antes de tudo, dar bom exemplo.

Quando se vê estudantes que nada aprendem e dão vexames nas provas a que são submetidos, mostram-se ineptos para a vida atual, pois ignoram até elementares pré-requisitos, são indisciplinados e desdenham os valores essenciais para uma convivência sadia na sociedade, é evidente que o rumo tomado não está certo e necessita de um urgente redirecionamento.
Um primeiro passo poderia ser o de convencer os filhos, que receberam muitos presentes, portanto, compartilharem com aqueles que nada recebem. Induzi-los a serem magnânimos e preocupados com seu próximo é exercer uma das lições do Natal cristão. Cristo na manjedoura recebeu ouro e na idade adulta viveu despojado e presenteando a todos com magnanimidade.