Natal: morte e vida

Muito se fala sobre o Natal e até vemos um movimento crescente para entendê-lo de forma menos comercial e mais espiritual. Entretanto, precisamos ir ainda mais além nisso e essa é a proposta do artigo de hoje.

Sócrates, Epicuro e tantos outros filósofos nos presentearam com magníficas reflexões. Uma delas é a de que a morte não deve ser temida, porque, se a morte é final, então você não estará lá para sofrer ou mesmo estar ciente de sua morte. No entanto, a preocupação (agora) com a morte é latente e acompanha muita gente, trazendo inquietação, prejudicando o correto entendimento desse processo e, por consequência, desviando as pessoas do caminho da felicidade.

Como entender que a morte me fará perder pessoas que eu amo ou coisas que eu adoro fazer? Como aceitar que minhas paixões terão um fim e que não posso mais voltar ao passado para corrigir erros ou problemas que até eu mesmo causei?

Na verdade, o foco está na direção errada. As pessoas que você ama e as coisas que você gosta de fazer precisam ter você por “inteiro”. “Você” precisa estar com você por inteiro…

Enquanto você está preocupado com o que não se controla, deixa a vida ir escapando pelos dedos e esse, caro leitor, é o cenário que está causando stress, depressão e ansiedade no Planeta.

Como entender que preciso “morrer” (agora) para algumas formas de vida que estão apenas me prejudicando?

Na verdade, o grande e real ensinamento do Natal é que Jesus nasceu para que morramos aos processos ruins que, por algum motivo, comandam ou tentam comandar nossa vida. Jesus é Vida e também exemplo de como alterar o rumo de nossa existência e dar o sentido que a vida precisa ter. Jesus nasceu para mostrar a todos nós o real sentido da “morte”. Por este motivo é que dizemos que Ele nos salvou.

Portanto, não importa o que acontece com você. O que importa mesmo é como você reage e como administra as situações que vive, entretanto, nos enganamos e encontramos desculpas, justificativas para que, aquilo que precisa ser realmente feito por nós (iniciativa, mudança, saída da zona de conforto) não seja feito. E neste caso nosso cérebro nos envia a “saída” enganadora, onde buscamos “culpados”, jogando em outras pessoas ou situações, a nossa própria responsabilidade e este ciclo vai só nos atrasando.

Sim, o mal está se multiplicando no mundo e não podemos fechar nossos olhos para esse fato, porque, para vencer o mal ou qualquer inimigo, precisamos saber enxergá-lo, entendê-lo e enfrentá-lo. Quando a sociedade começa a acreditar que todos os problemas estão sendo causados pelos “outros”, aí que o mal se instala com mais força. Portanto, os bons precisam “escolher” estar à frente. Motivo? Só eles estão aptos a moldar esse mundo para o bem.

Procure não apenas ouvir, mas refletir na famosa letra: “Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e começa outra vez. Então é Natal, a festa Cristã do velho e do novo, o amor como um todo. Então bom Natal, e um ano novo também. Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

Que busquemos neste Natal morrer para que renasça um novo “eu”! Que esta época desperte em nós os melhores sentimentos e que eles venham para ficar em nosso coração. Isso sim é Natal!

(Francisco Ometto Jr.)