Nem todos os gatos são pardos

Em respeito aos piracicabanos e como homem público é minha obrigação responder à matéria do <BF>JP<XB> deste domingo (18), intitulada Telefone do gabinete do prefeito é usado por partido, que envolveu o meu nome. Em primeiro lugar, utilizar a expressão “usado por partido” pode dar a entender que telefone do gabinete do prefeito, quando eu estava no cargo, teria sido utilizado pelo meu partido. Nego veementemente isso, como ficará claro a seguir.
 
Inicialmente, achei estranha a abordagem telefônica realizada pelo repórter desse jornal, pois ele me disse que os telefones a que ele teve acesso se referiam ao “diretório do PSB em Piracicaba”, o que não tinha nenhum sentido, e daí a minha reação de incredulidade. O PSB não possui “diretório” em Piracicaba, mas uma comissão provisória com somente sete membros. Mas isso não é o mais importante, pois a provisória não deixa de ser um órgão local do partido.
 
Com todo o cuidado que o caso merece, fui verificar o que poderia ter acontecido. O que existe é que na época em que me filiei ao partido, na minha ficha pessoal de filiação, como na de todos os demais filiados, consta, além do meu telefone residencial, o telefone de trabalho que, no meu caso, era o da Prefeitura de Piracicaba na época. 
 
No entanto, constar o telefone de onde você trabalha é muito diferente de dizer que o telefone era do diretório do partido. Acontece que essa minha ficha foi enviada ao partido, junto com as dos demais membros da provisória e, daí para a frente, quem faz todo o resto do processo de inscrição no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é o partido no nível estadual ou federal, sem que saibamos os meandros desse ato. Para minha surpresa, somente após essa reportagem do <BF>JP<XB> fiquei sabendo que, na condição de presidente local do partido, os dados da minha filiação pessoal, com os respectivos telefones, constam no TSE como sendo do órgão partidário. Resulta daí a confusão estabelecida.
 
Desfeito o mal-entendido, gostaria de esclarecer que durante o meu mandato, até para evitar mal-entendidos, fiz questão de me relacionar com o partido por intermédio de meu e-mail pessoal do UOL, que os mantenho arquivados. Além disso, fora a lista de sete membros da comissão provisória, nenhuma outra filiação partidária foi realizada em 2016. E nem precisei ter outros contatos com o PSB, pois não fui candidato à reeleição e não tivemos candidatos a vereador. Somente voltei a ter contato com o partido em fevereiro de 2017, após a minha saída da prefeitura, quando iniciei o processo de filiação de novos membros.
 
Enfim, aqueles que me conhecem de fato sabem da minha reputação pessoal e de meus cuidados com a coisa pública. Não pretendo me misturar ao lamaçal da política nacional e nem posso admitir que tentem me confundir com o quadro nefasto que aí está. Até entendo a desconfiança geral em relação aos políticos e fico indignado como qualquer cidadão, mas há que haver distinções e evitar avaliações apressadas. Conheça-se, acima de tudo, a história pessoal de cada um. Nem todos os gatos são pardos.
 
 
Gabriel Ferrato é ex-prefeito de Piracicaba