No Dia das Avós, a história de Maria Ivone e dos 8 netos

Maria Ivone e seus netos: até mudou de casa para acolher a todos. Foto: Divulgação

Hoje no Brasil é comemorado o Dia dos Avós, também conhecido como Dia da Avó ou Dia da Vovó. O objetivo deste dia é homenagear e agradecer toda a consideração e carinho dos avós pelos netos. Costuma-se dizer que os avós são os “segundos pais” das crianças. Maria Ivone de Oliveira Fernandes, 43 anos, é mãe de três filhas e avó de oito netos. Caçula de três filhos, ela conta que teve uma infância difícil. “Quando não tinha comida, saíamos meu pai, minhas irmãs e eu em busca de serralha nas queimadas e aquele era o nosso sustento”, relembra.

Ivone casou-se aos 16 anos e aos 18 deu a luz a sua primeira filha, Mayne. Um ano e dois meses depois nasceu a segunda filha, Mayane e dois anos e dez meses depois nasceu a caçula, Mayene. “Foi tudo muito rápido, aos 22 anos já era mãe de três. Entre dificuldades financeiras, minhas filhas cresceram e eu não podia dar luxo, às vezes nem o necessário, mas tem coisas que não custam caro. Eu brincava com elas de bonecas que eu mesma fazia, de pano”, recorda a avó.

Ela conta que precisou trabalhar durante muito tempo de domingo a domingo para levar o sustento para casa. “Era difícil manter-me presente estando sempre ausente, mas procurei com afinco desempenhar o papel de mãe” explica Ivone.
As suas três filhas também casaram-se aos 16 anos. “Eu acabava de pagar uma festa e já começava pagar outra. Três meses depois do casamento, a filha mais velha manifestou a vontade de engravidar. “Tomei um choque. Respondi rispidamente “esse assunto é seu, com o seu marido”, conta. Algum tempo depois, a primogênita engravidou e o primeiro sentimento da avó foi de preocupação.

AMOR—O amor de Ivone pela primeira neta surgiu após a filha quase perder o bebê. “Encostei meu rosto na barriga da minha filha e falei baixinho “a vovó te ama” e foi quando percebi que a partir daquele momento nada mais me importava, o que pensariam de mim não faria a diferença. Queria apenas que tudo ficasse bem e ficou”, contou a avó.
Algum tempo depois nasceu a primeira neta, Deborah. “Quanto amor! Era tudo novo para mim, um ano depois chegou o Jeyel, pouco depois veio a Lorehna, 40 dias depois veio a Jeyane, para competir colo com a Lorenah, depois de dois anos e nove meses veio a Alayene, após dois anos e um mês veio a Jeyune e quando pensei que havia acabado, vem o Joaquim e 41 dias depois chega o Allef. A casa encheu! Mudei até de casa, o barulho aumentou, procurei um espaço maior, pensando neles.” relatou a avó coruja.

“Após a chegada de cada um em minha vida, as coisas mudaram no sentido de renúncia. Ninguém cobra de mim, eu mesma sinto necessidade de estar sempre por perto, vivo pensando neles, todas as melhorias na casa faço pensando neles. Não tenho nenhum neto que seja o mais querido, todos têm o mesmo espaço em meu coração”, derrete-se Maria Ivone.
“Procuro ser referência para os meus netos, alguém que eles confiem. Gosto de contar histórias de vida, das minhas origens e procuro passar para eles o que sei, manter viva a história de gerações. Gosto de falar-lhes da Bíblia e procuro frisar o efeito do bem e do mal. Ensino também a importância de falar a verdade, de amar, perdoar, abraçar e também a aprender a lidar com as dificuldades,” disse Ivone, satisfeita com o fruto do seu trabalho.

“Meus filhos se sentem importantes e protegidos pela avó, tudo de novo eles querem compartilhar com ela. Nossa mãe é uma grande influência na vida deles. Ela sempre indica qual caminho eles devem percorrer, sou muito grata por isso”, elogia a filha caçula de Ivone, Mayene Fernandes, 22.

Por: Raquel Soares