No dia mundial da água, defender a vida

A água é o bem mais precioso do planeta. Sem água, não há vida.

Infelizmente, na sociedade em que vivemos a água também se tornou mercadoria. Milhões de pessoas sobrevivem no limite com sua escassez. Em alguns segmentos privilegiados, há desperdício de água. Nem sempre há equilíbrio na sua gestão e distribuição.

O Brasil é privilegiado em termos de disponibilidade de água. Mas a água é um bem finito. Ela precisa ser cultivada para que esteja disponível na quantidade e na qualidade necessárias ao consumo humano e às demais atividades, como a agricultura, a pecuária e a indústria. Mas isso não vem ocorrendo. Culturas excessivas se tornam predatórias, como no caso da cana de açúcar em várias regiões do Brasil, como no Estado de São Paulo e na nossa região de Piracicaba.

Grandes proprietários de terras plantam cana e outras culturas que requerem cuidados de forma pouco ponderada. Plantações de cana e a própria agropecuária avançam além dos limites permitidos por lei e chegam às margens dos rios e cursos d´água, o que é proibido e desafia o bom senso. Com isso, a disponibilidade de água escasseia. Se não houver controle, ao longo do tempo regiões com água disponível podem se tornar desérticas. É preciso cuidar dos mananciais e trabalhar para recuperar os que foram degradados.

Há três anos, o Estado de São Paulo tomou um susto com a possibilidade de falta d´água por um longo período. A situação melhorou, mas não está resolvida. Aprendemos alguma coisa com esse episódio? Ainda não foi possível detectar. Aparentemente, não aprendemos muito. Mas o Estado e a sociedade precisam se conscientizar e tomar medidas para preservar e cultivar a água.

As indústrias também se portam de forma irresponsável. Toneladas de rejeitos industriais são despejados nos rios. Poluem nossas reservas de água, isso sem contar o lixo que acaba parando nos leitos dos rios. Estado e Prefeituras nem sempre tomam as medidas cabíveis e muitas vezes um ente federado joga para o outro a responsabilidade.

A região de Piracicaba era muitíssimo bem servida de recursos hídricos. Era. Hoje, por falta de políticas corretas nos últimos anos, o abastecimento pode ficar comprometido em alguns anos. Acontece que essa má atuação do poder público está sendo jogada sobre as costas da população. O Serviço Municipal de Abastecimento de Água e Esgotos de Piracicaba (Semae) cobra tarifas altíssimas, pratica erros grosseiros nas contas de água e esgotos (cobrando valores absurdos de algumas famílias), não resolve o problema de grande número de esgotos a céu aberto na periferia, não repõe o quadro de funcionários e, ainda, há suspeitas de irregularidades na gestão.

Piracicaba e região tem em funcionamento um modelo de consórcio de gestão da água que já mereceu muitos elogios ao longo de sua existência. É preciso que funcione, que discuta providências e que debate com a população da região a realidade atual e as medidas a serem tomadas, para que jamais cheguemos a uma situação de escassez.

Nós, como sociedade, temos que debater e agir. Por isso, é preciso fortalecer o “Movimento Piracicaba com Água e Esgoto a Preços Justos”, que reúne sindicatos, movimentos e entidades da sociedade civil de Piracicaba. Lutar pela qualidade da água, pela sua disponibilidade, pelo acesso de todas e todos a esse bem vital, é a melhor homenagem que podemos prestar no Dia Mundial da Água, que se comemora em 22 de março.

Esse é o recado que quero passar neste momento, declarando toda a minha disponibilidade com Deputada Estadual, como Presidenta da Apeoesp e como cidadã piracicabana, paulista e brasileira, para lutar pelo que é justo e correto.

Viva o Dia Mundial da Água!