No palco ou na plateia?

Francisco Ometto Júnior

Como é importante, especialmente no mundo atual, compreender o poder que a emoção exerce sobre nós. Portanto, saber gerenciar nossas emoções é um enorme diferencial.

Para começarmos esta viagem, é preciso esclarecer que emoção não se controla. Ela é inconsciente e automática. Imagine você andando pela rua e, subitamente, vê alguém sendo assaltado. Algo vai acontecer imediatamente no seu corpo, o que independe da sua vontade. Portanto, emoções são inconscientes e automáticas. O que podemos controlar são os comportamentos provocados por elas.

Considerado o “pai da inteligência emocional”, Daniel Goleman muito tem contribuído para a popularização do que ele mesmo chama de “a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos”.

Nesse contexto, nossa “inteligência” está subdivida em QI e QE. O primeiro é a quantidade de inteligência, ou quociente de inteligência. O segundo é o quociente emocional. O que está sendo desmistificado a cada dia, é que mesmo sendo inteligente (QI), você pode não conseguir gerenciar seus comportamentos, seu “eu”, e aí de nada vai adiantar o QI, fato que se comprova, na esfera profissional, por exemplo, pelo crescente número de demissões de pessoas com alta capacidade técnica e acadêmica, porém, detentoras de pouca habilidade emocional, além dos outros desastres psíquicos na vida pessoal e relacional de tanta gente, o que tem tomado os noticiários e alimentado sombrias estatísticas.

Podemos também ser escravos de nossas emoções. Crenças, traumas, autossabotagem. Somos um produto do nosso passado e o autoconhecimento pode corrigir nossa rota. Se você tem dificuldades com isso, não hesite em procurar ajuda.

“Formam-se mais tempestades em nós mesmos que no ar, na terra e nos mares”. (Marquês de Maricá)

Mesmo sem perceber, muitas vezes ligamos o piloto automático em nossas vidas e, então, lá se vai o controle dos nossos pensamentos, do que sentimos, fazemos ou falamos e é exatamente aí que nasce o caos.

Colocamos expectativas nos outros e quando eles fazem algo que nos machuca, ficamos magoados e travamos. Aí trocamos, vamos em busca de novos horizontes, novas esposas, novos maridos, novas atividades, novos cenários. Vamos “cobrindo buracos” de nossa existência, num círculo vicioso destrutivo.

Quanto mais a ciência e a tecnologia avançam, mais pobre emocionalmente e isolado o ser humano está ficando. Quanto mais informação se produz, menos conhecimento e conexão. Paradoxos que poucos estão enxergando, mas que as estatísticas crescentes de doenças emocionais, depressão, suicídio, fobias, etc., estão enxergando muito bem! O dinheiro não está trazendo sentido, os prazeres que o mundo oferece não estão trazendo as respostas certas. O consumo não está trazendo o que a alma necessita. Entretanto, são estes e tantos outros os “heróis” que cada vez mais tomam o lugar de protagonistas no palco da vida das pessoas, deixando-as escravas e espectadoras de suas próprias vidas.

Ninguém, além de você, deve ter o controle da sua vida. Você é o único responsável pela maneira como se sente. Quando você se apodera destes conceitos, você ganha a chave que altera suas emoções, seus sentimentos e muda o que o externo significa para você, ou seja, você passa a ter o domínio da sua realidade, consegue alterá-la e se blinda de influências negativas ou limitantes.
Lembre-se: a única coisa entre você e os seus objetivos são os seus pensamentos.

“Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.” (Carl Jung)

Francisco Ometto Júnior é professor e psicanalista