Nossa representatividade

Os piracicabanos foram as urnas e fizeram suas opções. Entre tantos bons nomes apresentados de pessoas que já atuam pela cidade e outras que se propuseram a atuar, optaram, em sua maioria, em levar os votos para candidatos que nunca pisaram na cidade, que sequer pegaram a rodovia Luiz de Queiroz para conhecerem nossa realidade e nossas demandas.

Políticos reconhecidos pelo seu trabalho, pela sua coerência de luta conforme suas ideologias e causas, ficaram de fora. Na verdade, não foram eles que ficaram de fora. Foi Piracicaba. À exceção da reeleição e reconhecimento ao trabalho do Deputado Estadual Roberto Morais, da eleição da líder sindical Isabel Noronha, a Bebel, e do líder da Assembleia de Deus Alex da Madureira, nomes muitíssimos preparados para nos representar não tiveram a preferência popular. E tenho certeza que não foi por falta de mérito ou competência.

Os cidadãos cobram, e devem cobrar, melhorias para suas vidas. Diretamente aos 23 vereadores ou através da mobilização digital, as demandas são as mais diversas e têm um ponto em comum: a crítica de que pouco se faz por eles.

Há uma distorção na compreensão política, entendo eu, que fica evidenciada neste período eleitoral. Talvez estejamos pecando em não intensificar mais ainda a promoção da educação política e cidadã. Isto poderia contribuir para que a importância da representatividade fosse melhor compreendida e reconhecida pela população.

Deputados estaduais e federais são importantíssimos para um município. Vejam o exemplo da vizinha Limeira ou da cidade mais importante no noroeste paulista, Bauru. Sozinhas elegerem federais que, certamente, colocarão suas cidades na pauta política do Congresso Nacional.

E Piracicaba? Terá que correr atrás de representações pouco legítimas, mesmo com o argumento de que o Deputado é eleito pelo estado. São 645 municípios! Haja fôlego!

Logicamente este resultado eleitoral é uma somatória de fatos políticos e estratégicos baseados em algum momento da história em que se entendeu como importante ofuscar o surgimento de novas lideranças políticas. Piracicaba sofre hoje esta consequência.

Que reflitamos sobre isto, não apenas pelos nomes que perdemos a oportunidade de tão bem nos representar, mas pela cidade como um todo, pelas nossas necessidades, pela ciência de que é pela política ­ pelo menos ainda ­ que se melhora a vida das pessoas.

Matheus Erler, presidente da Câmara de Vereadores