Nota no Enem garante inscrição no Sisu a três presos

Três presos do CDP (Centro de Detenção Provisória) Dr. Nelson Furlan conseguiram fazer a inscrição para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada) após conseguirem uma boa pontuação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Entre eles, está Marcos Bruno Vendramim, 30, que está preso desde janeiro de 2011, após uma condenação a 14 anos por homicídio. Ele também teve uma boa nota para inscrição no ProUni (Programa Universidade para Todos), que fornece bolsas de estudo parciais e integrais em instituições de ensino particulares.
 
O diretor do CDP, Maurício Arantes Romero Gonçalves, destacou os aspectos importantes da atividade realizada dentro do presídio como uma das ferramentas da ressocialização do preso e posterior preparação para a vida em liberdade. “Ficamos satisfeitos com a oportunidade de contribuir com esse resultado, pois faz parte do processo de humanização e preparação para a vida em sociedade. Nada seria possível se cada um não tivesse a dedicação individual”, disse.
 
Outros 121 reeducandos da Penitenciária Masculina, 25 mulheres do CR (Centro de Ressocialização) Sidnes Carlos Cantarelli também realizaram o Enem. As unidades deverão receber a reportagem em breve sobre o assunto.
 
O JP falou sobre o tema em novembro de 2017, quando sete ressocializandos na unidade intensificaram os estudos para a avaliação. A prova teve calendário diferenciado para as pessoas em restrição de liberdade. O exame foi aplicado nos dias 19 e 20 de dezembro pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
 
Na época, Vendramini disse que tentou no estudo uma maneira de deixar seus dias um pouco melhores. “Quero prestar o vestibular para psicologia, pois antes de vir para cá já tinha feito alguns cursos de monitor terapêutico”, comentou Vendramim, que espera sair em liberdade condicional até setembro de 2018, pela boa conduta.
 
Roberto José da Silva, 40, que cumpre pena há 12 anos e cinco meses, também foi um dos destaques no exame. Condenado há 27 anos por latrocínio, ele pensa em ter uma nova vida fora das muralhas. “Quero ingressar no curso de pedagogia e depois quero trabalhar com crianças especiais”, disse Silva, que já leu mais de 500 livros durante seu cárcere, desde Platão, Sócrates, Karl Marx até a atualidade.
 
Para Lucas Guilherme Rocha, 25, que foi condenado há sete anos e seis meses por roubo, o vestibular para o curso de educação física é o que o motivou para estudar bastante e tentar uma boa nota no Enem. “Quero sair daqui pela porta da frente e de cabeça erguida”, desabafou na época.