Nova geração do carrapato estrela mobiliza força-tarefa da Esalq e prefeitura

Em 2018, foram quatro casos da doença em Piracicaba, sendo três curados (Foto: Claudinho Coradini/JP) Em 2018, foram quatro casos da doença em Piracicaba, sendo três curados (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Os meses de abril e maio marcam o início do aparecimento de uma nova geração do carrapato estrela, transmissor da febre maculosa, na região de Piracicaba. Para manter o baixo nível de incidência da doença registrado em Piracicaba em 2018 (quatro casos, dos quais três foram curados), uma equipe multi-institucional e multidisciplinar iniciou um trabalho para identificar áreas mais vulneráveis à ocorrência da doença para a implantação de medidas preventivas.

Em 2013, o reitor da USP (Universidade de São Paulo) criou a Comissão Técnica Permanente de Prevenção e Controle da Febre Maculosa da Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”). Os trabalhos conduzidos no campus têm sido intensos no sentido de reduzir os riscos de ocorrência da enfermidade. De acordo com o coordenador, professor Gilberto Moraes, é interesse da comissão compartilhar a experiência realizada na Esalq para outras partes do município de Piracicaba. “Nossa proposta é o desenvolvimento de um plano piloto de priorização das áreas públicas de maior risco, dentro de um contexto de recursos escassos da Prefeitura Municipal”, disse.

O trabalho será realizado em cinco regiões mais apropriadas para a ocorrência da doença: Horto do Tupi, Lagoa de Santa Rita, Lagoa do Unileste, Ribeirão Piracicamirim (proximidade do Jardim Brasília) e Rio Piracicaba (proximidade do Parque do Mirante). Serão feitas avaliações em sequência da presença de capivaras, do carrapato, da bactéria e do próprio ser humano.

Com base nestas avaliações, serão determinadas quais ações preventivas devem ser tomadas em cada região, de acordo com o nível relativo de perigo encontrado em cada uma delas. Regiões mais perigosas receberão maior intervenção da prefeitura para reduzir o risco. A ideia é que após a conclusão do projeto, os órgãos competentes da prefeitura municipal possam realizar trabalhos semelhantes em outras regiões. “Trata-se de um trabalho de 18 meses, que está começando agora, com a participação de alunos e professores da Esalq, técnicos da Sedema (Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente), Centro de Controle de Zoonoses e Vigilância Epidemiológica Estadual”, conta o professor.

A ação apresentada na última reunião da equipe apontou o caminho da vigilância ativa como via de monitoramento de áreas de risco. Segundo o médico veterinário Marcelo Labruna, da USP, a febre maculosa está espalhada em diferentes áreas, mas nem todas as populações de carrapatos estão infectadas pela bactéria causadora da doença e da mesma maneira nem toda capivara carrega carrapatos infectados.

Da Redação