Nova política do governo federal anima setor de etanol

A aprovação pelo Congresso e a sanção do presidente Michel Temer (PMDB) do RenovaBio (Política Nacional de Biocombustíveis) já começam a gerar otimismo em Piracicaba, um dos principais polos produtores de etanol do País. Produtores de cana, usinas e até fabricantes de equipamentos para o setor sucroalcooleiro comemoram as principais diretrizes do programa, que incentiva a produção dos combustíveis renováveis como forma de cumprir metas internacionais de redução de emissões de carbono.
 
Além de estipular metas anuais nacionais de redução das emissões, a nova lei prevê a compra, pelas distribuidoras de combustíveis, de CBIOS (Créditos de Descarbonização) emitidos por produtores e importadores de álcool, biodisel e bioquerose. 
 
“O RenovaBio vai favorecer a população como um todo porque vai reduzir a emissão de CO2 na atmosfera. Para uma economia de baixo carbono que está sendo discutida mundialmente, o Brasil é protagonista neste cenário”, destaca Pedro Mizutani, vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen, joint venture formada pela Cosan e Shell, que deu origem a uma das maiores empresas de açúcar e álcool do mundo.
 
Para Mizutani, é de extrema importância o consumidor reconhecer os benefícios do uso dos biocombustíveis. “O consumo do etanol no país vem aumentando de forma considerável, porém é preciso que o consumidor não leve em conta apenas o preço, mas sim todos os seus benefícios gerados ao meio ambiente e para a economia do país”, completou.
 
Para o presidente da Afocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba), José Coral, a nova política vai gerar mais empregos no setor. Com essa nova lei deve crescer a produção de etanol, para que parte desse combustível seja utilizada como mistura no biodiesel. Então isso deve aquecer os empregos, as indústrias devem se estabilizar novamente. Os fornecedores terão oportunidade para aumentar suas lavouras, já que a demanda será maior”, analisou.
 
Coral relata que a crise vivida pelo setor nos últimos anos fez com que muitos produtores rurais desistissem da atividade. “Nosso setor já perdeu muitos fornecedores de cana, a maioria dos pequenos e médios produtores está desaparecendo, mantendo só um pouco de cana arrendada para ter direito aos serviços do Hospital dos Fornecedores de Cana, mas não pensam mais em investir no setor por conta da desvalorização, dos altos custos e da baixa remuneração”, disse Coral.
 
A Dedini — empresa que fornece equipamentos para usinas de açúcar e álcool — também está otimista. Segundo o engenheiro José Luiz Olivério, consultor do grupo, a empresa acompanhou o processo que redundou na aprovação do RenovaBio, e se preparou para as mudanças rápidas no cenário que devem ser deflagradas em 2018.