Novos empregos, velhos profissionais

Longe de preconceitos, profi ssionais mais experientes são também os mais vantajosos às empresas pelo acúmulo de conhecimento

Para muitos idade é só um número, no entanto essa não é a realidade na hora que uma pessoa mais experiente aparece para uma entrevista de emprego. Trabalhadores mais velhos são muitas vezes recusados durante o recrutamento da gestão de pessoas, com a ideia de que não terão energia para cumprir com suas obrigações profissionais. A boa notícia é que esse tipo de postura tem mudado, principalmente entre as grandes empresas.

De acordo com a especialista em carreiras, Vivian Wolff, esses profissionais têm se tornado cada vez mais disputados. “São profissionais com vivência e rede de relacionamento no setor em que atuaram por vários anos, com inteligência emocional e jogo de cintura para encarar desafios, com facilidade, para identificar oportunidades e possuem maior foco no desempenho de seus projetos”, reforça Vivian.

E não é só a opinião da especialista que demonstra essa visão, o mercado tem mudado sua postura e efetuado uma maior contração de pessoas mais velhas. Segundo os dados recentes da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, disponíveis na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), o número de pessoas com 65 anos ou mais em vagas com carteira assinada aumentou, saltando de 484 mil em 2013, para 649,4 mil em 2017. Um aumento de 43% em quatro anos.

Para as corporações que deixam de lado esse preconceito com a idade, normalmente procuram nestes profissionais experientes a estabilidade, para assim, reduzir os riscos que frequentemente as organizações sofrem. Outro ponto a favor desses profissionais é o conhecimento já mostrado em campo de trabalho.

“A atual visão empresarial reconhece que o profissional com mais idade tem prazer em se manter ocupado, que vai além do conhecimento do trabalho e da consciência de sua contribuição ao resultado”, afirma Vivian.

As dicas que a especialista dá aos mais experientes e que estão em busca de recolocação no mercado são o de manter a flexibilidade nos pensamentos; conquistar relacionamentos pessoais e profissionais, afinal, tudo começa e termina nas pessoas; manter- -se atualizado com as tecnologias emergentes e se mostrar calmo e humilde com os funcionários mais jovens que ainda estão aprendendo as funções e responsabilidades de um trabalho; sempre que houver oportunidade, colocar em prática os conhecimentos e as habilidades em proveito da estratégia da empresa e da equipe, sem a intenção de se destacar ou de mostrar que sabe mais do que os outros. “Seja a fonte de inspiração, orientação e incentivo. Jovens precisam de estímulo para direcionar seu vigor e alcançar seus objetivos”, enfatiza a especialista

Larissa Anunciato
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