Número de tentativas de suicídio crescem em Piracicaba

saúde Com levantamento é possível traçar perfil de quem atenta contra a própria vida. (Foto: Claudinho Coradini/ JP)

As tentativas de suicídio cresceram em Piracicaba, segundo o Departamento de Saúde Mental da Secretaria de Saúde. Até agosto, foram notificadas 123 tentativas ante as 156 registradas ao longo de 2017. A coordenadora do departamento, Vandrea Novello, alerta que há outra quantidade de casos subnotificados. A partir dos números da VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal) é possível traçar um perfil aproximado das pessoas que tentaram contra a própria vida. “As vítimas tinham idades entre 15 e 49 anos, solteira, heterossexual e não possui transtorno mental”, afirmou.

A maioria das tentativas de suicídio ocorreu na residência da vítima (135 casos) e a ingestão de medicamentos foi o meio usado por ela. Das 156 ocorrências, 106 se deram por uso de medicamentos, 15 por envenenamento e outras cinco por enforcamento. Todos os pacientes que foram socorridos a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e encaminhados para o setor de Saúde Mental, “A UPA é a porta de entrada para esses pacientes iniciarem o acompanhamento”, explicou.

Já no primeiro atendimento, um psicólogo e assistente social iniciam a triagem. “Se a pessoa continuar com a ideia suicida ela é encaminhada para internação psiquiátrica, mas se ela fizer uma reflexão sobre o fato, a encaminhamos para um dos cinco Caps (Centro de Atenção Psicossocial)”, afirmou Vandrea.

De acordo com a especialista, se o paciente faz uso de substâncias psicoativas (drogas ou álcool) o acompanhamento ocorre no Caps AD (Campestre). Caso contrário, o encaminhamento é para uma das outras três unidades (Bela Vista, Vila Sônia e Vila Cristina). Quando o pacientes é menor de 18 anos, o acolhimento é feito no Caps Infantil (Centro). Vandrea lembra que o atendimento “é feito no sistema porta aberta”. “O paciente pode ir direto à um dos Caps e buscar o atendimento”, reforçou.

NO LIMITE – O autônomo Maurício, 50 anos, não suportou a pressão após a morte da esposa. Ela morreu no dia 8 de junho, aos 54 anos, vítima de câncer. Viúvo e com um filho adolescente autista, ele precisava se desdobrar para cuidar do garoto e trabalhar em dois empregos. A irmã de Maurício, que preferiu não se identificar, conta que ele sempre foi introspectivo, desde criança. “Ele era muito quieto, não era de conversar não se abria”, lembra. Antes mesmo de completar um mês da morte da esposa, Maurício decidiu colocar um fim na situação que – para ele – não havia perspectiva. No dia 1º de julho, o autônomo ingeriu um copo de um produto corrosivo, ligou para uma irmã que providenciou o socorro, porém, não resistiu e morreu.

No dia de sua morte, a irmã encontrou uma carta deixada por ele. “Ele disse que pensava em comprar uma arma para se matar, que não aguentava mais a pressão e iria acabar com tudo”, lamentou.

PERFIL – De acordo com a VEM, os 23 casos de suicídios registrados na cidade em 2017 revelam que a maioria é homem em idade produtiva (entre 20 e 59 anos), desempregado ou aposentado, tinha Ensino Fundamental e residia na região Norte; sendo 18 mortes ocorridas na casa da vítima.

(Beto Silva)