O bom líder

Infelizmente estamos presenciando uma grande deterioração das virtudes cívicas na nossa sociedade. Tornou-se constante a falta de respeito entre as pessoas nos debates públicos, especialmente nas redes sociais. Proliferam os ataques pessoais concomitantes à falta de capacidade de compreender, aceitar ou conviver com visões diferentes. As pessoas desconsideram argumentos técnicos daqueles com quem não têm afinidades e cultuam os “achismos” daqueles que pensam de modo semelhante ao seu.

Tal deterioração é, indubitavelmente, explicada pela carência de bons líderes, especialmente no campo político nacional. Muitos daqueles que ocupam cargos eletivos importantes na esfera federal, estadual ou municipal, não se encontram à altura das funções para as quais foram eleitos. São políticos que constantemente aviltaram e aviltam os cargos institucionais que exercem. Assim, realizam trocas espúrias, negociatas e até crimes, como foi revelado nas operações recentes de combate à corrupção; selecionam subalternos com base no favorecimento de seus próprios familiares, praticando nepotismo; e desconsideram padrões de conhecimento técnico e de civilidade necessários para o exercício das suas prerrogativas.

A liturgia do cargo, que é o comportamento esperado dos líderes das mais importantes funções públicas, é severamente violada e rompida. Em poucas palavras, as pessoas que ocupam cargos institucionais da mais alta hierarquia não se mostram minimamente preparadas de modo técnico ou emocional para o adequado desempenho de suas atribuições. Não exercem a boa liderança. Ao contrário, desmandam, ou seja, desnaturam suas funções, exorbitam sua competência e abusam das prerrogativas institucionais que lhes foram outorgadas.

O exercício de funções públicas pressupõe seriedade, comprometimento, probidade, cordialidade, conhecimento, ou ao menos aptidão para adquiri-los no decorrer do processo. É necessária a capacidade de escutar, dialogar, avaliar e realizar julgamentos. Para isso, se faz indispensável gozar de estabilidade emocional para evitar arroubos, agressões e falta de civilidade no trato com outras lideranças e com aqueles que devem ser liderados. Obviamente, isso não quer dizer que o líder não deva ser forte, ter ideias firmes e ser capaz de apontar as soluções necessárias, mesmo quando estas sejam impopulares.

A liderança necessita ser exercida de forma ética e positiva. Um bom líder deve saber distinguir quais são as prioridades, planejar e focar suas ações para alcançá-las. Deve ter capacidade para selecionar pessoas competentes e honestas, que trabalharão seriamente para atingir as metas definidas.

Uma das principais características de um bom líder é a capacidade de expressão e comunicação. Para isso, deve pensar no que diz e em como pretende motivar pessoas e influenciar ações de modo construtivo. Deve se comunicar não só com os seus próprios eleitores, mas construir pontes e dialogar com aqueles que não o elegeram e que serão também por ele liderados.