O dono do lixo

Os resíduos de construção civil são um gargalo dos planos de gestão de resíduos de diversas cidades, por diversos motivos. Não apenas a falta de controle do descarte, que muitas vezes nem passa por caçambas de empresas legalizadas e organizadas, mas são feitos por veículos utilitários, carroças, carrinhos de mão e porta-malas de veículos. É claro que a proposta de mapeamento e controle da circulação de caçambas é um avanço considerável, além disso, pode diminuir o impacto em outros serviços municipais, como o de limpeza de terrenos, já que parte considerável da população faz dos terrenos seus lixões particulares e, depois, reclama para a prefeitura da falta de limpeza dos mesmos. Nem a dengue e os escorpíões mentem medo nessa espécie de pessoa, que podemos dizer é a ‘sem culpas’. A culpa é sempre dos outros: do vizinho, do poder público, do pai, da mãe e da falta de sorte. Esse é o pior tipo de ser humano, porque só olha o próprio umbigo. Joga o lixo na rua, leva o cachorro para fazer necessidades na frente da casa dos outros ou na praça, mas não recolhe sua sujeira; varre o lixo para a frente da casa do vizinho ou coloca o lixo na esquina porque na frente da sua casa o lixo não pode ficar, é feio, né.

Usa uma vaga exclusiva só por alguns minutos ou dá um jeito de cortar a fila, mas é coisa pequena, não chega a ser um crime. E, quando precisa limpar o quintal, joga seu entulho ou lixo no primeiro lugar que achar, afinal, é só mato, um tijolo ou outro e uma latinha de tinta pela metade. Depois, vai pra casa e se orgulha de ter o ‘lar doce lar’ mais limpo do mundo. Pena que os outros não são tão zelosos quanto o ‘sem culpas’. Ah, se todo mundo fosse como ele!

(Alessandra Morgado)