O fim da vida pacata

Quem não gostaria de morar em um bairro planejado, arborizado, às margens do rio Piracicaba e conviver diariamente com saguis, garças, pássaros e outros animais da fauna? Todo mundo, não é mesmo? E, ao final do trabalho, correr, fazer caminhada, andar de bicicleta ou patins e bater papo com os vizinhos que se conhecem há décadas, sem se preocupar com a criminalidade. 
 
Tive o prazer se ir ao bairro entrevistar os moradores e era evidente o clima de tranquilidade em uma região de natureza exuberante. O receio é que esse refúgio a poucos minutos do Centro seja invadido por turistas, por carros e junto venham a poluição, o lixo, o som alto.
 
Essa posição privilegiada e estratégica da Avenida Cruzeiro do Sul, no bairro Nova Piracicaba, tem sido motivo de cobiça de muitos comerciantes que querem instalar seus estabelecimentos no local. Várias tentativas foram feitas para liberação o comércio no trecho. Mas os moradores se uniram e barraram projeto na Câmara há dois anos .
 
Mas na atual administração de Barjas Negri (PSDB), projeto de lei semelhante foi protocolado e aprovado pelos vereadores, sem consulta prévia aos habitantes da localidade, como reclamaram. Ficaram sabendo da votação no dia da aprovação em plenário semana passada. A própria prefeitura admite que o projeto é para beneficiar um estabelecimento já instalado no local. 
 
Os moradores temem que se abra precedente e que outros comércios se instalem no trecho. Eles conhecem muito bem a realidade do município e, por isso, receiam que a avenida se transforme em uma nova rua do Porto e, junto, venham problemas comuns a esse corredor comercial, como congestionamentos, ruas sujas, poluição e outros tantos problemas.
 
No passado como no presente os moradores encontraram uma única saída, uma vez que não tiveram eco na Câmara: estão se mobilizando para entrar com uma ação na Justiça. Que tipo de ação, ainda não sabem. Coube a eles apenas espernear e depositar todas suas fichas na Justiça, uma vez que o bairro planejado criado em 1972 foi concebido para ser exclusivamente residencial. 
 
O caso promete virar uma batalha judicial e ter outros desdobramentos. É que o restaurante instalado no local que ainda não tem alvará também recorrerá ao Judiciário para garantir que a lei entre em vigor e, assim, conseguir o alvará depois de 10 anos de funcionamento irregular. O desfecho está longe ainda e promete se arrastar por anos. E os maiores perdedores dessa situação prometem ser a riquíssima fauna e flora do local. Quem garante que a prefeitura vai fiscalizar os abusos de som alto, cadeiras e mesas encostadas nas árvores à beira do rio? Agora só resta esperar as cenas do próximos capítulos dessa novela … (Claudete Campos)