O Futuro do Trabalho – parte IX

“O profissional do futuro precisa influenciar”

Em sétimo lugar entre as competências apontadas como das mais valiosas para 2022, temos a Liderança e influência social. Note bem que não está escrito apenas liderança, mas “Liderança e influência social”. E este “acréscimo” muda tudo, porque dá um recado claro sobre o que se espera desta competência, tão frequente nos artigos que escrevo há anos.

Liderar é alinhar pessoas e conduzi-las a um norte definido. Esta essência da liderança, visualizada ao longo da história em vários personagens que deixaram a sua marca como líderes poderosos (Jesus Cristo, Hitler, Mandela, Obama, Matin Luther King, Steve Jobs, entre outros), é muito clara no sentido e permite que até “nortes” absurdos, como os de Hitler e Stalin, possam obter uma legião de seguidores fiéis à causa. Como a agenda do mundo é mutante, nos momentos em que os nomes citados anteriormente surgiram e emergiram como grandes lideranças, suas causas faziam algum sentido naquele momento histórico. Martin Luther King foi uma faísca num barril de pólvora que já estava por explodir. Steve Jobs, quando subiu no palco para lançar o primeiro smartphone que o mundo conheceu e que mudou as nossas vidas, também o fez porque o momento pedia e permitia. E assim por diante, poderíamos aqui analisar cada caso e ver que, sem fazer julgamento de valor nas suas causas, cada líder viu sentido e usou o momento histórico para “vender” suas ideias.

Por falar em momento histórico, qual é o nosso? Como será a próxima década e por que o “sufixo” influência social foi plugado ao termo liderança? Simples demais de entender. Basta parar um pouco e ver que a nossa agenda na próxima década estará voltada para resolver seríssimos problemas causados ao longo de décadas ou séculos, desde a primeira revolução industrial há mais de 200 anos. O capitalismo, desde 1.800, produziu muita riqueza, quase triplicou a expectativa de vida, erradicou doenças, nos fez ir até a lua, desenvolveu a medicina, a engenharia, a robótica a nanotecnologia e a ciência como um todo, mas não conseguiu equilibrar e dividir toda essa riqueza gerada de forma a promover o bem comum. O capitalismo é ótimo para produzir e péssimo para dividir. Este “pequeno” detalhe produziu uma desigualdade social imensa, dividindo o mundo entre “poucos com muito” e “muitos com pouco”. E as consequências estão aí para serem vistas a olhos nus: violência, baixo nível educacional, poluição, destruição insustentável de recursos naturais, intolerância, entre outras mazelas. A sensação de que o mundo virou mais um barril de pólvora nasce aí.

Portanto não me surpreende em nada ver que a competência liderança irá ganhar uma conotação menos técnica e mais comportamental, exigindo que os líderes não só conduzam seus “rebanhos” a um destino específico, mas que os influenciem para que tomem decisões certas, sustentáveis e visando o bem comum. De nada adianta estarmos em um navio gigante, sob ponto de vista da riqueza, se ele vai afundar e todos vão morrer. Neste caso, estar na cabine de primeira classe ou nos porões, não vai mudar muito o destino de todos.

Se você já é gestor de alguma equipe, por menor que seja, a minha pergunta é: quais ações concretas você está influenciando nas pessoas da sua equipe visando o crescimento de todos? Se não achar uma resposta convincente, trate de rever o seu estilo de liderança. Até o próximo!