O limite do Corumbataí

O falecido deputado federal João Herrmann Neto, quando era prefeito de Piracicaba, definiu o projeto e iniciou as obras para captação de água no rio Corumbataí, que se encontra com nosso Piracicaba na região de Santa Teresinha. A obra de Herrmann tinha um objetivo: garantir água para a cidade, que tinha um rio quase morto cortando suas terras. Ao longo dos anos, o crescimento das cidades a montante de Piracicaba e a falta de tratamento de esgoto doméstico e industrial foram exigindo mais e mais de nossas águas. O rio Piracicaba chegou ao seu limite e o Corumbataí foi nossa salvação, mas agora esse rio também está em vias de se exaurir.

Na matéria de Rodrigo Guadagnim, na página A 3, vamos entender a iniciativa da Agência das Bacias PCJ ao contratar um estudo que busque alternativas para o abastecimento.
Agora caberá a outro prefeito de Piracicaba, Barjas Negri (PSDB), que também é presidente do Comitês PCJ, assinar a contratação da empresa que vai realizar o estudo, que desta vez visa salvar não apenas Piracicaba, mas uma população de aproximadamente 710 mil habitantes.

A bacia do Corumbataí é uma sub-bacia do rio Piracicaba com importância regional quanto ao abastecimento de água para os municípios de Piracicaba, Rio Claro, Santa Gertrudes, Corumbataí, Cordeirópolis, Analândia, Ipeúna, Itirapina e Charqueada. Atualmente, a disponibilidade hídrica dessa região é de 4,97 m3/s e a demanda é de 2,92 m3/s, o que parece suficiente, mas nos meses de estiagem a situação pode mudar bastante.

Apesar de toda a mobilização e investimentos, ainda não conseguimos garantir água para as futuras gerações da bacia hidrográfica mais desenvolvida do país. Aqui estão com toda a certeza o quadro técnico mais especializado do país e um corpo político comprometido com a gestão racional de nossas águas. Com tudo isso, ainda lutamos para garantir o futuro do abastecimento público. Por quê? A resposta é bem simples: a água é finita e é de todos. Entender isso é uma condição importante para evitar que outros cursos d‘água fiquem próximos de seu limite ou seria melhor dizer, que da nossa falta de limites.

(Alessandra Morgado)