O poste

Walter Naime (Arquiteto-urbanista e Empresário)

Poste não tem cheiro, a não ser quando um cachorro passa pelo seu pé e deixa o seu xixi exalando amônia. Poste não cheira, poste não pensa mas está na rota dos pensamentos.
Poste usa a força da gravidade para ficar de pé. Poste pode ser alto ou baixo. Poste começa sendo uma estaca demarcatória que não cresce mas espera até que ele seja colocado ali. O lugar é dele.
Depois passa a ser uma coluna que pode suportar cargas. Não foi a estaca que cresceu, ela foi substituída. Poste não cresce, poste não fala, poste não enxerga, poste não chora, poste não come, poste não dorme, poste serve!!!

O poste do seu alto domina os homens que colocam fios por onde passam energia, que colocam sensores para enxergar, para fotografar, luzes para iluminar, semáforos para regular o trânsito de veículos, colocam tudo que até parecem estar vivos.

Com os fios emaranhados como uma cabeleira leva mensagens e energia mantendo atuantes os seres a sua volta.

O poste não chora mas a noite você sente os sons das vibrações dos fios que ali estão dependurados lacrimejando pelo que aconteceu de ruim e rindo de nada poder fazer.
O poste suporta o transformador que transforma a corrente elétrica para serem utilizadas pelos seres humanos, que não suportam altas tensões.

Quando o poste possui luminárias, tem luz a seu redor, dando proteção contra os que se aproveitam da escuridão para cometer o que não se deve, e são condenados pela sociedade.
O poste toma conta do seu pedaço, apesar do pedaço nem ser seu.

O poste sensoria a velocidade dos veículos, controlando-os para que os excessos não aconteçam. Ele não multa você, mas registra o seu erro.

O poste serve para colocar alto-falantes, que sabem comandar como um general, desde que o general esteja na outra ponta da linha dando comando.

O poste é o lugar. Ele não estava lá, ele não viu, ele não escutou, ele não mandou, ele não comandou. Continua sendo o dono do pedaço mas é um poste.

Ele pode até ser candidato em alguns casos, mas não tem consciência disso. Ele é um poste.

Se você tiver que fazer alguma reclamação ao poste, não se acanhe ele não responde. O poste é surdo, apesar das orelhas em sua ponta, continua dentro da sua ignorância.

Antes o poste servia para colocar fotografias de candidatos de políticos, hoje ele é o candidato.

Todos os postes, feitos de concreto e aço ou não, são duros na queda. Só o tempo pode enfrentá-lo com novas tecnologias, mas até lá continuarão fincados no cenário político.