O povo pede passagem na 2ª noite do carnaval de SP

“Fiz um poema pra te dar / Cheio de rimas que acabei de musicar / Se por capricho / Não quiseres aceitar / Tenho que jogar no lixo/ Mais um samba popular.” Assim cantava Noel Rosa. E no segundo dia de desfiles no sambódromo paulistano do Anhembi, o povo – sempre com uma brecha para a nobreza, da música e do País – pedirá passagem.

Para quem ainda pensa que “a voz do povo é a voz de Deus”, vale desde o início acompanhar a abertura do sambódromo pela X-9 Paulistana, que destacará os ditos populares. Cada carro, ala e fantasia da agremiação vai representar um ditado. O abre-alas, por exemplo, remeterá à expressão “casa da mãe Joana” e o casal de mestre-sala e porta-bandeira se referirá ao “uma andorinha só não faz verão”.

Na sequência, o Império, que já reinou no carnaval paulistano, vai entoar o samba-enredo O Povo: A Nobreza Real e indagar sobre quem é rei ou bobo da corte na “selva de pedra”.
A passarela do samba paulistano ainda permitirá que duas favoritas – Mocidade e Vai-Vai – cedam homenagem à Música Popular Brasileira. A primeira vai trazer Alcione, enquanto a segunda destacará Gilberto Gil, que deverá trazer grande parte da família para o Anhembi. Até Caetano Veloso pode fazer uma rápida aparição… Ou não.

Ainda haverá espaço para outros povos – como os guarus, os primeiros indígenas que deram nome à vizinha cidade de Guarulhos e vão inspirar a sempre popular Gaviões da Fiel. O destaque fica para o carro abre-alas, que representará o dilúvio criado pela entidade mitológica Tupã e terá mais de 60 metros de comprimento.

Na sequência, outro tema que já faz parte da cultura brasileira: a música sertaneja de raiz vai virar samba para ritmistas e passistas da Dragões da Real. Com participação de Roberta Miranda e Sérgio Reis no desfile, a vice-campeã do ano passado apresentará um carro com mais de 280 pessoas – muito mais que a média costumeira -, que vão representar os milhares de fãs do ritmo.

Por fim, quando a manhã despontar, o samba de elite paulistano fará a derradeira homenagem a um ícone popular: Roberto Gómez Bolaños. Não reconheceu? Então, vamos mudar para o personagem que o tornou mais conhecido: Chaves. “Vamos trazer um exército de Chaves na bateria e uma ala das crianças só de mini-Chapolins”, diz Fran Sérgio, carnavalesco da escola. O México, que também é tema do enredo, terá a história contada desde os primórdios, com carros representando os povos pré-colombianos e as festas típicas, como o Dia dos Mortos.