O que tem que ser, será! Será?

Dúvidas e mistérios sempre excitam e perturbam a paz das pessoas. O ser humano – e nenhum outro – possui o privilégio da onisciência. Em verdade, seria assustador se surgisse esse indivíduo, pois ele não seria outro, senão o criador do céu e da terra e de todas as coisas, como está escrito nos livros sagrados.

Sendo assim, por que tanta inquietação se já se sabe que a humanidade não tem o poder de decifrar o incognoscível que transcende a realidade sensível?

A capacidade humana, nem seguindo a idade do tempo astronômico, seria capaz de entender o sentido desses assuntos aristotélicos, se nem mesmo o filósofo os conseguiu demonstrar. O homem não está predestinado ou obrigado a explicar o que pertence ao conhecimento metafísico. Não importa nem interessa, lembrando o argumento da astuta raposa na fábula de Esopo: “As uvas estão verdes”…

Uma única solução para o agora é crer ou não crer, e que cada um que cuide de si, que já é muito.

Leis, regras, regulamentos, códigos são criações do homem. Esse é o problema. Sendo ele um ser imperfeito, o que gera também é imperfeito. As leis servem para evitar problemas e prevenir conflitos; sem elas, as relações entre as pessoas estariam a um passo da desordem total da vida em comunidade.

O desenvolvimento tecnológico das últimas décadas apequenou a Terra atingindo a duração do tempo, que de passos de tartaruga, está em velocidade instantânea. Por esse motivo é imperativo ao homem se adaptar ao novo, pois há muito que as leis se tornaram inaptas para disciplinar tantas mudanças nos costumes, nas atitudes, direitos, deveres e penalidades.
O foco principal premente é evitar que a razão seja deslocada em plano inferior das mudanças e não seja atingido o equilíbrio entre o mal e o bem, da liberdade e da coerção, da dependência e da autossuficiência, caso contrário a contramão dos valores do senso comum serão implantados. O casamento não pode ser uma bobagem, a malandragem uma virtude, o trabalho uma tolice e o bem um mal.

Sorte, azar, predestinação, fatalidade e destino são desculpas dos adeptos ao “dolce far niente”, ou seja, do vagabundo. Aprende-se desde o berço que nada de bom bate a nossas portas se não for pelo caminho do estudo, do trabalho, da perseverança. E a oração que traz alívio pela esperança é a última chance do aceite do sofrimento, embora não ela não paga contas nem é com certeza o caminhos para subtrair a dor.

Nada evita o fim, nada traz alguém de volta. Felicidade plena não existe; a dor e o mal são necessários para que o amor, e o bem e o prazer se justifiquem.
Os relacionamentos menos estressantes, havemos de concordar, são aqueles em que o afeto pelo outro não depende de receber alguma coisa em troca. E a vida é muito curta para se viver sempre do mesmo modo.

Novas direções podem ser mais importantes do que a velocidade. O que tem de ser – será!

(Plinio Montagner)