O significado do Amor

Se você tivesse que definir “amor” em apenas uma frase, o que diria? Por mais que você passe um dia inteiro pensando nessa definição simples e direta, o resultado pode não ser o esperado. A questão é que falar de amor não é para qualquer um, por isso existem os poetas! Afinal o sentimento em questão não poderia ser mais abstrato, cheio de interpretações, conceitos, rimas e significados. Sim, o amor tem vários significados diferentes.

Pode ser o seu cachorro esperando você chegar em casa ou o bilhetinho que a pessoa amada deixou embaixo do seu travesseiro. Pode ser abraço de mãe, bolo de vó, risada de pai. Pode ser a sua música favorita, o abraço do melhor amigo e até o seu lugar predileto em todo mundo. O amor tem muitas definições porque parece mesmo estar em tudo, você já reparou?

Mas o que significa a palavra amor? Na língua portuguesa, a palavra amor permaneceu com a mesma grafia do latim: amor. Originalmente, o termo latino amor era utilizado para designar o sentimento de “gostar de algo ou alguém”, sentir afeição, desejo ou preocupação.

Alguns autores afirmam que a possível origem para a palavra latina amor é uma base Indo-Europeia (AM), que ajuda a formar várias palavras do latim, normalmente palavras ligadas a crianças ou ao cuidado com crianças. É o caso da palavra amita, que quer dizer “tia” e da palavra mater, que quer dizer “mãe”.

Outros estudiosos referem que na raiz do verbo que designa amor em latim está impressa a ideia de plantar, semear. A união íntima entre um homem uma mulher simbolizaria isso, por exemplo. Atualmente, a palavra “amor” possui diversas acepções, desde a ideia de adoração e devoção, até a atração baseada na atração sexual. A expressão “fazer amor”, por exemplo, pode ser considerada como um eufemismo para o sexo.

O poema de amor mais famoso de todos os tempos é também um dos livros mais enigmáticos da Bíblia. Raros estudiosos acreditam nisto, mas o Cântico dos Cânticos, livro do Antigo Testamento, começa atribuindo sua autoria ao rei Salomão. (Tendo ou não sido o autor do poema, Salomão devia entender do tema – tinha um harém de 700 esposas e 300 concubinas.)

“Beija-me com teus beijos! Tuas carícias são melhores que o vinho!”, são os versos que inauguram o Cântico dos Cânticos, um longo diálogo entre um jovem casal apaixonado. Tanto entre judeus quanto entre cristãos não faltaram polêmicas sobre a inclusão ou não do poema nas Escrituras Sagradas, assim como não faltaram traduções e interpretações que buscavam minimizar, ou até eliminar, seu erotismo elegante, mas desinibido.

Na tradução mais moderna, de longe, a mais fácil e agradável de ler, The Song of Songs – A New Translation (O Cântico dos Cânticos, Uma Nova Tradução), lançada em 1995 nos Estados Unidos, os autores Ariel e Chana Bloch rechaçam definitivamente as antigas leituras de que o fervor retratado no poema fosse, na verdade, uma alegoria do amor entre Deus e Israel (na versão judaica), ou entre Cristo e a Igreja (na versão cristã).

Assim, segundo Platão, o amor é carência; quem ama procura no alvo de seu sentimento a Ideia que um dia contemplou enquanto sua alma estava desligada do corpo, a qual ele não encontra no plano material, pois sua reprodução sensível não lhe basta. Mas ele preenche este vácuo e ganha plenitude em uma relação correspondida.