O uso do dinheiro

O dinheiro, na sociedade, além da função de troca, é símbolo e instrumento de riqueza e poder. A ele tem sido atribuído um valor que pode (e acreditamos que deva) ser questionado.

Em discussões dos mais variados temas a questão econômica e suas implicações ganham tamanha relevância a ponto de parecer que tudo se subordina a interesses financeiros e econômicos, os quais chegam a ser colocados acima de princípios éticos, das necessidades da coletividade e até da dignidade humana.

Sob uma perspectiva holística, a energia monetária, a fim de cumprir propósitos evolutivos e geradores de bem-estar a toda a sociedade, deveria fluir no organismo social de forma harmônica e saudável, como o sangue que circula pelo corpo humano e os rios que correm na natureza, irrigando e vitalizando as áreas por onde passam.

Contrariando esse princípio, muitos recursos financeiros têm sido adquiridos de forma ilícita, acumulados abusivamente e destinados a setores e atividades flagrantemente opostas ao bem do ser humano e da sociedade. Para comprová-lo, basta que se observe o volume de riquezas destinado à indústria armamentista, às drogas (lícitas ou não), à pornografia e ao consumismo desenfreado, bem como a existência de bilionários ao lado de multidões miseráveis.

O desvirtuamento do uso do dinheiro torna-se evidente quando se observa o enriquecimento de pessoas e grupos às custas de especulação, astúcia e oportunismo, em verdadeiro parasitismo social, em vez de se investir nos setores produtivos, geradores de emprego, no desenvolvimento sustentável e no bem-estar de toda a sociedade.

Em nosso mundo, predominantemente materialista, imediatista e hedonista, muitas pessoas, com a ilusão de possuírem bens materiais, não percebem que na verdade são escravas daquilo que pensam possuir. A ambição, a avareza e o apego são responsáveis por incontáveis sofrimentos e perturbações, reflexos da ignorância humana quanto ao uso e finalidade dos recursos materiais que lhe estão disponíveis.

Segundo a lei natural de causa e efeito, conhecida também como lei do carma, cada um é responsável por tudo o que pensa, fala e faz, portanto também pela forma como ganha o seu dinheiro e pela finalidade que lhe dá. Se uma energia como a monetária é canalizada para fins destrutivos e degradantes, é óbvio que os efeitos, imediatos ou não, sejam igualmente destrutivos.

Somos plenamente responsáveis pela origem e pelo destino de todo e qualquer recurso, inclusive financeiro, que passa pelas nossas mãos, pois a finalidade que cada um dá ao dinheiro reflete quais setores escolhe valorizar, alimentar e fortalecer, sejam benéficos ou maléficos.

A educação financeira, tão necessária, além de ensinar mecanismos de controle dos recursos monetários e de planejamento quanto ao futuro, poderia incluir o uso consciente do dinheiro, com finalidades nobres, não apenas alimentando padrões consumistas e imediatistas, que contribuem para a degradação humana, social e ambiental.

Cada um, dentro das circunstâncias em que se encontra, pode escolher como usar os próprios recursos, inclusive os financeiros, se para fins positivos ou negativos, benéficos ou maléficos, contribuindo para melhorar ou degradar a si mesmo e a sociedade, a Natureza e o mundo em que vive. Portanto, não apenas o dinheiro, mas principalmente o seu uso, está em nossas mãos e depende de nossas escolhas.