O vilão dos animais

Festa de Fim de Ano é sinônimo de fogos de artifício; saiba como prevenir que algo de mais grave aconteça com o seu pet. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

As festividades de Natal e Ano Novo já entraram na contagem regressiva. É época de festas, reunião familiar, confraternização e muita alegria. Porém, no meio disso tudo há um grande vilão dos animais: os fogos de artifício. É claro que o show de pirotecnia é capaz de ‘hipnotizar’ até os mais céticos pelas cores e formas que rasgam o céu, mas o barulho, o estrondo vindo deles é extremamente prejudicial aos pets. E seus tutores sabem muito bem disso. Alguns até deixam de participar das festas para ficar em casa e acalmar seus animais.

É o caso da auxiliar de escritório de uma empresa de contabilidade em Piracicaba, Flávia Stockman, 40, que há anos deixou de participar das festas de Ano Novo para fi car em casa e acalmar seus cães, que sofrem com os estrondos vindos do céu. “Eles uivam, fi cam agitados, assustados e coração disparado. Me preocupo também com os cães de rua ou aqueles que acabam fugindo de casa por estarem com medo de todas aquelas luzes e barulhos, ressalta”.

E existe um motivo para que os animais sofram com os fogos de artifício. A veterinária do Vetpet Patinhas, Amanda Souza, explica que a capacidade auditiva dos animais é muito mais sensível e apurada que a dos humanos. “O ouvido canino é capaz de perceber sons com frequência de 10 Hz (Hertz) à 40.000 Hz, já o homem percebe sons entre 10 Hz e 20.000 Hz. Além disso, os cães conseguem captar sons quatro vezes mais distantes que o humano”, informa.

Estudos revelam que animais expostos a intensos barulhos sofrem alterações comportamentais e neuroendócrinas, que podem evoluir para a fobia. Em casos de estresse crônico severo, eles podem até sofrer um infarto. No último dia 23 de novembro, a cadela farejadora que estava no Estádio Monumental “U”, em Lima, no Peru, morreu devido a queima de fogos durante a comemoração da vitória do Flamengo na Libertadores da América.

Para amenizar o problema, Amanda dá algumas dicas. “O ideal é distrair o animal da melhor forma possível. O tutor pode colocar algodão nos ouvidos dos animais e/ou ligar o rádio ou a TV com o som mais alto e suportável para eles; enriquecer o ambiente do animal com seus brinquedos prediletos para que ele possa ter sua atenção desviada e, se ele persistir em se esconder, coloque sua cama ou casinha em um local seguro como no canto de um sofá ou debaixo de uma mesa; restrinja o acesso a locais potencialmente perigosos como varandas, janelas e piscinas e feche cortinas, portas e janelas em busca de minimizar o som externo”, ressalta.

Apesar das distrações alguns animais ainda se estressam, então um calmante ou tranquilizante pode ser receitado pelo médico veterinário nestas situações.

Larissa Anunciato
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