O XV de Piracicaba que planeja Capitão Gomes: metas e propostas

xv Gomes defende a continuidade do trabalho do primeiro para o segundo semestre (Foto: Fabrice Desmonts)

O futuro do XV de Piracicaba será decidido em novembro, quando os sócios do clube elegerão novos representantes para o Conselho Deliberativo e, consequentemente, a próxima diretoria executiva. Após mais de duas décadas, as eleições no Alvinegro apresentam concorrência. A chapa da oposição é encabeçada pelo vereador Capitão Gomes (PP), enquanto a situação tem como candidato ao cargo máximo o empresário Ricardo Moura, atual vice-presidente e diretor de futebol do Nhô Quim. LÍDER publica nesta quarta-feira (31) a sabatina realizada com Capitão Gomes, que recebeu a reportagem na terça-feira (30), em seu gabinete. A entrevista agendada com Ricardo Moura será veiculada na próxima semana. As perguntas aos candidatos são semelhantes. Leia abaixo, na íntegra, como será o XV de Piracicaba que planeja Capitão Gomes:

LÍDER: Porque você é o melhor candidato para assumir a presidência do XV de Piracicaba?
Eu acredito que pelo trabalho que nós fizemos de planejamento, merecemos uma oportunidade. Vejo o XV hoje em uma situação que não digo ser financeiramente difícil, mas também não é nada agradável. Nós vamos equalizar e pagar as dívidas, sabendo que o objetivo de um clube de futebol é vencer. Para isso, precisamos de recursos e sabemos que os recursos vêm com mais facilidade quando existe um time vencedor. Nós estamos em uma empreitada muito forte e acredito que o torcedor irá apoiar, sabendo de toda a equipe que está conosco, com profissionais experientes do futebol e gestão financeira. Tem tudo para dar certo. Confio em meu trabalho e em minha equipe. As pessoas reclamam por mudanças e, quem sabe, os torcedores nos permitam colocar em prática um planejamento muito bom para o XV. Queremos ver o XV na elite do futebol paulista e brasileiro.

LÍDER: Quais os nomes definidos para a composição da diretoria executiva?
A situação está bastante avançada. O Arnaldo Bortoletto (presidente da Coplacana) será o meu vice. Na parte de contas a pagar e estudo de balanço e auditoria, estamos com o Charles Semmler (proprietário da Múltipla). O doutor Beltrame (Luis, ex-presidente do XV) vai cuidar das questões jurídicas. Além disso, tenho um diretor financeiro de ponta que está próximo de fechar conosco, uma pessoa de prestígio em Piracicaba. O Hélio Vilani, que trabalhou na FPF e é meu chefe de gabinete, vai ser o meu assessor na presidência. É uma pessoa com trânsito na federação e que conhece futebol. Na base, tenho um nome importante, mas dependo de uma confirmação para anunciar. No futebol profissional, o nome do técnico foi mais do que falado (Paulo Roberto Santos). O contrato não está assinado pois eu não sou presidente ainda, mas a cidade pode estar certa de que isso não é blefe. Já fizemos contatos com atletas que foram apontados por ele e pela equipe que está comigo, que é formada pelo Dimas, Douglas Pimenta e Marlon. A credibilidade que estamos transmitindo é o que leva um profissional como o Paulo Roberto a assumir um compromisso conosco.

“Espero que os sócios nos brindem com uma oportunidade. O XV que eles irão ver será muito diferente”

LÍDER: Qual é o investimento planejado para o Campeonato Paulista e como arcar com os gastos?
O planejamento está pronto para o ano que vem. A base que temos é o que aconteceu neste ano, quando o XV disputou a Série A2, com uma folha de pouco mais de R$ 300 mil. A minha estimativa é essa também, porque o patrocínio deverá continuar entrando, ainda mais com o pessoal que virá comigo, um corpo de empresários que dará suporte ao XV de Piracicaba. Logicamente, se vier algum dinheiro a mais, melhor para o técnico. Quero dar a ele total condição de trabalhar. A única coisa que pedi ao Paulo Roberto é o acesso, e ele me respondeu que futebol não é matemática, mas que fez esse trabalho por onde passou. O que ele nos deu certeza é de um XV competitivo, que corre e briga a cada bola, que a torcida irá aplaudir. É isso que eu também quero. Então, estamos trabalhando com esse orçamento mensal de R$ 300 mil para o futebol profissional. Isso para o ano todo, não apenas para a Série A2.

LÍDER: Qual a receita prevista com patrocinadores? Há previsão para a chegada de novos patrocinadores? Qual a sua opinião sobre as parcerias entre clubes e empresas ou empresários?
Hoje, é comum ver clubes que possuem parceria e eu também pensava nisso, estava atrás de uma parceria, mas a situação melhorou para o nosso lado. Estou satisfeito pois temos patrocinadores e pelo que estou sentindo, não haverá necessidade de parceria alguma. O patrocínio virá de gente da casa, que gosta do XV, que vai investir acreditando no clube. Há sim a possibilidade da chegada de novos patrocinadores. É evidente que, se não houvesse aonde buscar recursos, teríamos de buscar parceiros. Vejo isso como algo válido, desde que seja bom para os dois lados, com a divisão do bônus e o ônus. Se ganhar, quero começar o trabalho no dia seguinte com o técnico e os jogadores no campo para treinar, para não perder mais tempo. Tudo estava alinhavado nesse sentido, começando agora a trabalhar, porque apenas eu era candidato. Mas, como aconteceu uma reviravolta… Parto do princípio que vou ganhar, e se vou ganhar, tenho que começar a trabalhar imediatamente.

LÍDER: Quais os projetos para alavancar o plano de sócios e outras fontes de arrecadação com o Semae ou Time Mania?
O presidente do Semae, José Rubens Françoso, é meu amigo e está conosco. Como vereador, tenho acesso muito grande ao Semae, devido ao respeito mútuo que mantemos entre executivo e legislativo. Em termos de parte burocrática e política, estamos bem relacionados. Agora, pergunto: como é que o cidadão se associa a alguma instituição? Quando vê uma equipe vitoriosa. Se ele vê um XV forte, vai se associar. É uma vergonha o XV com apenas 600 sócios. Temos que ter pelo menos 5.000 associados. A R$ 50 por mês, o que não é um absurdo em uma cidade que tem Acipi, Ciesp e Simespi, com advogados, dentistas e médicos, ou seja, com gente que pode ajudar. Mas as pessoas só vão ajudar se o XV for vencedor. Time bom não é barato. Eu queria ver o Barcelona com a camisa do XV e o Guardiola no nosso banco de reservas, mas o que estou querendo dizer é que é importante ter essa consciência de formar uma equipe vencedora.

LÍDER: No segundo semestre, por falta de dinheiro, o XV desmancha completamente o elenco. Como planeja equilibrar a segunda metade do ano, com a disputa de Copa Paulista?

A proposta é manter o time no segundo semestre. Eu não quero terminar a Série A2, subir o XV e dispensar o elenco. Pelo contrário: a ideia é reforçar para disputar a Copa Paulista com uma equipe muito forte. Cada jogo pode servir como um treino. No ano seguinte, chegar voando na Série A1 do Campeonato Paulista, com a espinha dorsal do time bem reforçada. Já me disseram que eu preciso ter cuidado, que fica caro manter, mas se a gente quiser atingir os objetivos lá na frente, vamos ter que enfrentar isso. Nós queremos dar todas as ferramentas para os profissionais trabalharem e a cidade terá que entender isso.

LÍDER: Quem será o responsável por comandar o departamento de futebol? Será um gestor remunerado ou não? Quem será o diretor de futebol?
O Dimas será o meu gerente de futebol. Os dois (Douglas Pimenta e Marlon) farão um trabalho de vestiário. Os três decidem e o Dimas levará a informação para mim. Não vamos ter ninguém no papel de gestor, porque nós temos um técnico que vai montar o elenco. Ele aponta o jogador que interessa, nós apresentamos os nossos nomes para o Paulo Roberto e vamos em busca de fechar as contratações. Queremos dar a ele as ferramentas necessárias para colocar o XV no lugar que merece estar.

LÍDER: O Paulo Roberto está apalavrado com o clube? Há negociação com atletas e um teto salarial para efetuar as contratações?
Sim. Não há nada assinado, pois eu ainda não sou presidente, mas há um compromisso sim. A não ser que apareça alguma coisa astronômica, mas, pelas conversas que tivemos, ele deixou claro que é um homem de projeto e nos deixou bastante tranquilos. Falei para ele entender minha posição, afinal, sou um homem conhecido na cidade. Não posso prometer um time forte e aparecer com porcaria. O XV não tem estádio e não tem CT (Centro de Treinamento). O que o XV tem? A camisa. A nossa camisa é pesada. O Paulo Roberto recebeu propostas de várias equipes, mas quer trabalhar no XV, porque isso dá currículo. Em relação aos jogadores, temos feito contato sim. Vamos conversar também com o Palmeiras, pois eles se colocaram à disposição para nos ajudar. Não acredito em teto salarial. É como uma empresa, há funções e responsabilidades, com salários diferentes. Você não pode pagar para o lateral-esquerdo o mesmo que vai pagar para o centroavante de ponta. Os próprios jogadores sabem isso. O que precisa ser feito é ter transparência com o grupo e nós teremos. Espero que os sócios entendam a situação e nos brindem com uma oportunidade. O XV será diferente.

“Nós queremos criar o sub-23. A ideia é voltar à Série D e disputar a Copa Paulista com o sub-23”

LÍDER: Quais os projetos para as categorias de base? Haverá terceirização do departamento?
A base do XV é a menina dos meus olhos. Temos que pensar na base com muito carinho e acho que é de lá que o futuro do XV sairá. Tenho conversado com quem está na base e pedi para eles pontuarem quais são os jogadores que podemos levar para o profissional. O maior patrimônio de um clube de futebol como o XV é o jogador. Temos que formar e também temos que vender, por isso a necessidade de investir forte. É uma preocupação que eu tenho. Sobre a terceirização, vejo a possibilidade de trazer parceiros, respeitando o que eu disse de ônus e bônus. Ninguém vai investir para não ganhar nada lá na frente. Mas isso tem que ser conversado e os direitos do clube terão de ser sempre preservados. Claro que eu prefiro tocar a base com gente nossa, mas não descarto a parceria. Nós queremos também criar a categoria sub-23. A ideia é voltar à Série D do Brasileiro com o profissional e disputar a Copa Paulista com o sub-23. O Dinival Tibério será diretor nosso de futebol amador, tem um conhecimento muito grande na várzea e sabe quais atletas podem ter valor nessa faixa etária. O XV vai se aproximar do futebol da cidade.

LÍDER: Como pretende administrar as dívidas do clube, passadas e futuras?
A dívida trabalhista gira em torno de R$ 2 milhões, um pouco mais, mas está bem controlada. É aquela velha história: devo, não nego, pago quando puder. Nós estamos cientes de que vamos ter que pagar. Eu assumo os erros daqui para frente, mas o que aconteceu antes não servirá de desculpa para o futuro. Afinal, eu quero pegar o XV. Para ficar falando do passado, melhor não pegar o clube. Nós temos que pensar em soluções, fazer eventos e shows para ajudar não apenas o XV, mas também as organizadas, a garotada que está apoiando faça chuva ou faça sol. A melhor forma do XV ajudar as organizadas é realizando eventos e promoções, nunca com dinheiro do clube.

( Líder Esportes)