O XV de Piracicaba que planeja Ricardo Moura para o futuro

futebol Em entrevista, candidato da situação fala sobre os projetos que tem para o possível novo ciclo como presidente. ( Foto: Líder Esportes)

O futuro do XV de Piracicaba será decidido no próximo sábado (10), quando os sócios do clube elegerão novos representantes para o Conselho Deliberativo e, consequentemente, a nova diretoria executiva, que será anunciada na terça-feira (13). Após mais de duas décadas, as eleições no Alvinegro apresentam concorrência. A chapa da oposição é encabeçada pelo vereador Capitão Gomes (PP), enquanto a situação tem como candidato ao cargo máximo o empresário Ricardo Moura, atual vice-presidente e diretor de futebol do Nhô Quim. LÍDER publica nesta quarta-feira (7) a sabatina realizada com Moura, que recebeu a reportagem na terça-feira (6), no estádio Barão da Serra Negra. A entrevista com Capitão Gomes foi publicada na semana passada. As perguntas aos candidatos são semelhantes. Leia abaixo, na íntegra, como será o XV de Piracicaba que planeja o candidato da situação:

LÍDER: Porque você é o melhor candidato para assumir a presidência do XV de Piracicaba?
Na realidade, eu não gosto de dizer que sou o melhor. Eu entendo que, neste momento, seja um pouco mais capacitado, por estar há seis anos no XV e saber como funciona a máquina, conheço a rotina do clube. Com a experiência desses seis anos, entre acertos e erros, temos condições de minimizar as falhas e capacidade para melhorar ainda mais. Não tenho ego nenhum com relação ao cargo no futebol ou de diretoria, nada. Amo o XV. Eu tenho três paixões em minha vida: Deus, minha família e o XV. Sei de minhas limitações e, caso apareça alguém melhor do que eu para tocar o clube, entrego o XV numa boa, com prazer. Saio, continuo apoiando, torcendo e caminhando junto. Mas, enquanto não aparece, minha posição é essa de disputar as eleições.

LÍDER: Quais os nomes definidos para a composição da possível diretoria executiva?
Não são muitos os nomes definidos. Lógico que temos que preencher as lacunas, mas isso precisa ser feito com critério. O Vitor Alvarez (economista) será o meu diretor financeiro, vou continuar com o Danilo Maluf Di Lernia no departamento de marketing. O Ivan (Oriani) permanecerá na base junto com o Matheus (Bonassi), que vai acumular a função de vice-presidente. O Ramon Bisson (advogado) será o meu braço direito e o Diego Cope (gestor de futebol) deve permanecer no futebol. Eu não planejo colocar ninguém como diretor de futebol, pois é um cargo que exige total confiança e eu não encontrei essa pessoa ainda.

“É bem provável, diria que 99% de chance, de eu acumular as funções de presidente e também diretor de futebol”

LÍDER: Qual é o investimento planejado para o Campeonato Paulista e como arcar com os gastos?
Na Série A2, não vamos fugir muito do que tivemos neste ano (2018), na faixa de R$ 250 mil, R$ 270 mil. Na realidade, nós ainda não temos esse valor total. Estamos trabalhando em busca de novos patrocinadores, temos negociação em andamento com a Caterpillar e outras empresas. Agora, se isso vai sair ou não, não posso prometer. Mas, o planejamento é trabalhar com esse valor apenas no futebol profissional. Em relação à Raízen, tivemos uma conversa no passado para a manutenção do patrocínio, podendo haver algum aumento. É algo que ainda não foi definido.

LÍDER: Qual a receita prevista com patrocinadores? Há previsão para a chegada de novos patrocinadores? Qual a sua opinião sobre as parcerias entre clubes e empresas ou empresários?
Nós estamos trabalhando para ter uma receita, referente apenas ao patrocínio, que giraria em torno de R$ 220 mil a R$ 250 mil mensais, pelo período de um ano. É isso o que nós estamos pleiteando, depende de negociações. Em caso negativo, vai ficar na casa de R$ 150 mil a R$ 170 mil por mês, também por um ano. Esses valores são somente de patrocínio de camisa, sem contar placas e muros, que não entram nessa conta. Sobre eventuais parcerias entre clubes e empresas, penso que o formato que nós tivemos no segundo semestre, com o clube tendo a última palavra, acho válido. Veja o que fizemos na última Copa Paulista. Nós iríamos disputar com o time sub-20 e fizemos uma parceria com a NB Sport, que é um braço da EMS. É lógico que vieram atletas indicados pelo parceiro, mas trouxemos jogadores que nós contratamos, como o Cassio Gabriel, Doni, Formiga, Romarinho, Samuel… São atletas pagos pela parceria, com o aval do nosso departamento de futebol. Esse molde, na minha visão, é muito bem-vindo. Em relação às parcerias entre clubes e empresários, é uma das coisas que gostaria de fazer em 2019, caso eu permaneça. Por exemplo: contratar reforços com percentual do salário pago pelo empresário. Isso, claro, para jogador que venha aqui para jogar, não fazer número. Nós também pensamos em parcerias com outros clubes, com a vinda de atletas a custo zero para cá. Assim, oneramos a folha de pagamento e conseguimos montar um time com maior potencial.

LÍDER: Quais os projetos para alavancar o plano de sócios e outras fontes de arrecadação com o Semae ou Time Mania?
Nós temos um retorno legal com a Time Mania (loteria). Os apostadores marcam o XV, não é difícil bater nessa tecla com o torcedor, porque ele não vê desvantagem. No Semae, é mais complicado. A partir do momento que você tem proprietários de lotérica incentivando a venda de uma ‘raspadinha’ em vez de aderir à campanha de R$ 1 para o XV, o trabalho fica árduo. Nós já chamamos o pessoal das lotéricas para conversar, mas eles não nos deram muita atenção, infelizmente. É algo difícil, pelo passado do clube, situações vividas 20 anos atrás. Recuperar a imagem não é fácil. Em relação aos sócios, faz seis anos que estou no XV, comecei como diretor de marketing e ‘batemos’ muito na porta do associado. Olha, são tantas vantagens que hoje você não precisa sequer ser torcedor para se associar, de tanto benefício que tem. A pessoa pode ficar sócia pagando R$ 9,90 por mês e terá benefícios de pelo menos R$ 30. É algo que muitas pessoas ainda não conseguem enxergar. Ainda existe o pensamento de que quem está no XV rouba. De qualquer forma, eu penso que o número de sócios caminha junto com o time: se o XV está bem, vencendo, com calendário, o torcedor vai e acompanha. O Botafogo de Ribeirão Preto é um bom exemplo: eles tinham 800 associados há dois ou três anos, assim como nós. Ao chegar na Série C do Brasileiro, atingiu 3.000. Claro que vamos trabalhar para aumentar o nosso número de sócios, mas sabemos como funciona e que o caminho mais eficiente é o resultado no campo.

LÍDER: Quem será o responsável por comandar o departamento de futebol? Será um gestor remunerado ou não? Qual seria o perfil buscado para diretor de futebol?
A ideia é manter na estrutura um gestor de futebol remunerado. A princípio, o Diego (Cope) faria essa função, mas temos de sentar e alinhar isso. No cargo de presidente, não tenho como acompanhar o elenco 24 horas, cuidando do vestiário. É importante ter uma pessoa de minha confiança exercendo essa função. Agora, o perfil ideal para diretor de futebol é alguém que não atrapalhe. Não adianta colocar alguém lá que não conhece e queira começar a mexer. Essa relação é complicada. É bem provável, diria que 99% de chance, de eu acumular as funções de presidente e também de diretor de futebol.

LÍDER: Algum treinador está apalavrado com a chapa da situação? Há negociação com atletas e um teto salarial para efetuar as contratações?
Negociações nós temos abertas com três, quatro treinadores. Em caso de vitória nas eleições, não podemos ser pegos desprevenidos e começar o trabalho a partir da votação. Na realidade, já está em andamento. Se ganharmos, vamos decidir qual o melhor nome para o clube, uma vez que a receita esteja definida. O mesmo é válido para os jogadores. Nós temos quatro atletas que viriam a custo zero, devido a parcerias com outros clubes. O Santos, por exemplo, nos deu uma folha com 16 jogadores, alguns bastante capazes, mas é difícil montar elenco no meio de uma eleição, porque o aval do técnico é fundamental. Por exemplo: nós temos cinco atletas que pertencem ao XV, mais quatro jogadores que viriam sem custo. Além deles, Bruninho (atacante), Mateus (Pasinato, goleiro) e Rubens (lateral-esquerdo) podem voltar de empréstimo. Não dá para contratar mais sem o acerto com o treinador, e isso depende das eleições. Sobre o teto salarial, não trabalhamos assim, mas existirá uma média, que varia na casa de R$ 15 mil. O que pretendo incrementar aqui é contrato por rendimento, como deu certo na Ferroviária, para citar um exemplo. É algo que beneficia o clube em casos de lesão e também em casos de má fé. São situações que acontecem. O XV paga em dia, dá uma estrutura legal. Infelizmente, há jogadores que ‘encostam’ e o contrato por rendimento diminuiria esses riscos.

LÍDER: Não é possível que os contratos por rendimento dificultem as negociações?
Por um lado, sim, mas pelo outro, não. Os problemas diminuiriam também. Não queremos jogadores aqui pensando apenas no salário. Nós buscamos atletas que lutem pelo nosso objetivo, que é subir para a Série A1 do Paulista. Aqueles que não estiverem comprometidos na busca pelo acesso, não precisam nem vir para Piracicaba.

“Base é algo para se pensar a médio e longo prazo. Torço para quem colher lá na frente, que faça bom proveito”

LÍDER: Quais os projetos para as categorias de base? Haverá terceirização do departamento?
A base é a menina dos olhos de qualquer clube e com o XV não é diferente. Temos que dar continuidade ao que vem sendo bem feito. Nós sabemos que precisa melhorar e sempre é possível crescer, da capacitação ao profissionalismo. Poucas pessoas dão valor ao Certificado de Clube Formador. Não é questão de colocar isso na gaveta, é uma conquista do XV. Temos que almejar, valorizar e trabalhar para manter. Quantos jogadores nós colocamos no Grêmio, Inter ou Palmeiras? Lá na frente, isso vai render muitos frutos para o XV. Base é algo para se pensar a médio e longo prazo. Como quinzista, torço para quem colher lá na frente, que faça bom proveito. Sobre a terceirização, temos hoje alguns meninos que foram trazidos por empresários e são custeados por eles, e eles têm uma porcentagem sobre esses meninos em uma eventual venda. Isso não é entregar o clube para terceiros. Acho que é uma ocasião bem-vinda se não houver dinheiro, o que acontece atualmente. Além disso, as pessoas que hoje trazem os meninos ao XV têm portas abertas em grandes clubes. É bom, não vejo com maus olhos. Agora, estou falando de um XV sem dinheiro. Podendo andar com as próprias pernas, é zero. Não teria necessidade dessa relação. Nós temos cerca de 100 meninos na base, é um projeto social tremendo, tirando meninos da rua, sendo que 70% deles é de Piracicaba. A pessoa que diz que nós não damos chances aos meninos daqui está enganada. É importante olhar com carinho, pois o que está sendo feito é muito legal.

LÍDER: Como pretende administrar as dívidas do clube? Elas podem servir de muleta para justificar possíveis resultados adversos?
De maneira alguma. Confio muito na honestidade de qualquer relação. Não é justo acertar um valor com um atleta e daqui um ou dois meses não pagar. O correto é acertar e pagar o que você pode. Vamos continuar agindo corretamente e isso não servirá de muleta para nada. Também sabemos da necessidade fazer esforços, como fizemos na Série D do Brasileiro. Não tínhamos dinheiro para montar o elenco que montamos e, sinceramente, penso que o melhor time na Série D era o nosso. No entanto, não passamos da primeira fase. Tirando um ou dois atletas que nós mesmos criticávamos, a equipe era muito forte, e veja no que deu. Apostamos e infelizmente não houve resultado. Já em 2018, quase subimos para a Série A1 do Paulista com uma folha de pagamento quase três vezes menor do que a do Guarani, por exemplo. Tem diferença entre contratar um jogador de R$ 10 mil ou um atleta de R$ 20 mil? Claro que sim. Mas penso que o fator que faz mais diferença é o grupo, como ele é formado e conduzido. Isso é mais importante do que qualquer outra situação.

( Líder Esportes)