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A Faixa Preta
Frederico Mitooka
27/10/2015 14h24
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Estimados leitores, saudações marciais.

Todo praticante de artes marciais hoje em dia já começa pensando em ser faixa preta.

Na minha época isso era algo tão longe que o máximo que eu me permitia a sonhar, era com a próxima faixa.

A faixa preta era algo como quase que impossível que talvez nem pensasse que um dia chegaria ao quinto grau do taekwondo, responsabilidade essa que carrego já há alguns anos.

A faixa preta antigamente era sinônimo de experiência e não era todas as pessoas que podiam ostentar essa graduação.

Não era somente técnica que designava um faixa preta, mas sim a responsabilidade e o comprometimento com o clã na qual fazia parte e o poder de decisão que tinha no grupo.

Por isso, dizia-se que a faixa preta procurava o aluno e não o aluno que procurava a faixa preta. Mas hoje os tempos mudaram.

Atualmente, ao menos nas artes marciais que se tornaram esportes olímpicos, a graduação de faixa preta é obrigatória para se iniciar uma “carreira esportiva”, e os valores se tornaram confusos desde então.

O esporte olímpico, para se manter vivo, cada vez mais pede jovens em sua prática e tanto é verdade que há um movimento internacional que explica a temática como os Jogos Sul-Americanos e os Jogos da Juventude com atletas entre 13 e 17 anos, sendo impossível se cobrar o mesmo critério milenar para se alcançar tal graduação nos esportes olímpicos e também marciais, ainda mais, porque se trata de jovens com poucas experiências de vida que jamais poderiam tomar decisões de responsabilidade.

Ainda assim, nenhum atleta, por mais jovem que seja, precisa de experiência esportiva anterior a um mega evento poliesportivo como os citados, o que torna a necessidade da graduação em tempo mais precoce.

E isso sem contar a necessidade da bolsa-atleta na vida dos mesmos, concedida somente para os designados como atletas, para poder suportar os altos custos dos processos seletivos estaduais e nacionais impostos pelas entidades oficiais das artes marciais olímpicas.

E há outra questão: como dito pela maior atleta da história do taekwondo brasileiro, Natália Falavigna, a qualidade vem da quantidade.

Natália, que por ventura se tornou faixa preta com menos de um ano de prática para poder participar do campeonato mundial juvenil em 2002 e conquistar a primeira medalha de ouro do esporte brasileiro.

Temos que formar mais instrutores, aumentar o número de praticantes do esporte para se tornar uma hegemonia mundial.

Não há outro caminho.

Mas é necessário muito bom senso, principalmente por parte dos professores e mestres formadores.

Esses, sim, responsáveis a entregar o mérito esportivo ou marcial a quem merece ou não. Não há idade e tempo certo para se chegar a faixa preta.

O que há, são metas e merecimentos tanto na arte marcial como no esporte olímpico.


Frederico Mitooka

É mestre em taekwondo.


 
 
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