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Crítica 10º Fentepira: Degredo, um lindíssimo e comovente espetáculo
Alexandre Mate
11/11/2015 16h42
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(Creditos: Nanah D’Luize)

No saguão do belo Teatro Erotídes de Campos, o conjunto de intérpretes do espetáculo Degredo — do Grupo Forfé de Teatro (Piracicaba) —, canta algumas canções: a última delas apresenta, em essencialidade, a história de Maria Flor. Por intermédio de tal recurso épico, sabe-se de antemão o que se assistirá. Acordadas as portas da percepção crítica, sem as surpresas das formas ligadas ao drama, o(a) espectador(a) pode criar hipóteses sobre como a história será desenvolvida.

Denilson Oliveira é o dramaturgo da obra, que se insere em uma trilogia, nomeada Trilogia Rural. O texto, com característica próximas ao atmosférico “drama de estações” ou “dream play” (obras decorrentes de situações de pesadelo) do Simbolismo francês, tem estrutura sofisticadíssima coligindo aos expedientes de teatralidade épica uma camada em que o conjunto de intérpretes: Adriano Mota, Fabrício Zavanella, Andréia Abreu e Laruana Alves (impecável em sua atuação) apresentam as mesmas personagens, em potente exercício de alteridade.

De posse do surpreendente texto, Thaís Dias (atriz de grande destaque na cidade de São Paulo) orquestra sua direção em espaço representacional na forma de corredor, cuja natureza é notadamente confessional. O espetáculo desenvolve-se à meia luz: uma fumaça permanente opaciza a percepção daquelas vidas “em pecado”, na sociedade piracicabana do século 17. Os lócus de condenação da viúva ocorrem: na igreja, cujo tratamento é absolutamente paródico; e no quartel, cujas imagens aparecem gravadas em telão. Neste segundo local, o comandante em chefe, representando o estado, condena a jovem viúva ao exílio e encarceramento doméstico.

A encenação é completamente antirrealista e anti-ilusionista, entretanto, em muitos momentos, a interpretação transita com o realismo. Nesse estado de interdição da felicidade e de ingerência por parte do estado e da igreja — arbitrando sobre o corpo e vida das mulheres —, seria interessante rever a interpretação, quanto aos momentos de desejo engravidados de culpa. Ao lado do clima sombrio da encenação, a trilha musical, pelas mãos da parceria Raniere Guerra e Jonatham Silva ilumina o palco de bela e contemporaneíssima música.

Pelo que se assistiu até aqui, reitero o que afirmei durante o debate ocorrido após o espetáculo: Piracicaba tem um excelente teatro!

*O espetáculo Degredo foi apresentado domingo, 8, dentro da mostra oficial do 10º Fentepira


Alexandre Mate

Doutor em história social pela USP e professor do Instituto de Artes da Unesp (São Paulo); integra a comissão debatedora do 10º Fentepira


 
 
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