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Crítica 10º Fentepira: Simbad, o Navegante - uma viagem 1001 vezes espetacular
Alexandre Mate
12/11/2015 16h29
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Primeiro infantil selecionado na 10ª edição do Festival Nacional de Teatro de Piracicaba, Simbad, o Navegante, apresentado pelo Circo Mínimo Produções de Arte (São Paulo, agradou em cheio: pelo silêncio durante a apresentação e pela qualidade dos aplausos. Obra voltada, em essencialidade para o público infantil, mas, por suas qualidades de bom teatro — e de acordo com tantos mestres, dentre os quais Ilo Krugli —, destinada a todos, independentemente das idades cronológicas.

O conjunto criador reúne gente bamba. A dramaturgia de texto (Carla Candiotto e Rodrigo Matheus), é notório, cola-se à dramaturgia de cena (Carla Candiotto), o resultado espetacular aponta muito colaborativismo e parceria.

A partir de outra premissa, o espetáculo reúne as tradições e saberes das companhias Le Plat du Jour e Circo Mínimo; portanto, a excelência do infantil e do “novo” circo, ao se unirem, construíram uma obra, realmente surpreendente. Simbad... é tecido através de imagens lindíssimas e carregadas de lirismo; expedientes lúdicos narrativos (bastante colados à chamada contação de histórias), com o virtuosismo dos dois excelentes intérpretes: Ronaldo Aguiar (surpreendente) e Rodrigo Matheus; características composicionais de personagens a partir de dupla — contrastante — de palhaços circenses (nomeadas Branco e Augusto); equilibrismo circense; tempo de comédia e de narração excelentes; trilha inspirada e afinadíssima (Aline Meyer), iluminação impecável (do mestre Wagner Freire) e cenografia (traquitana — que vai se transformando nos mais inusitados Matheus); figurinos: leves, coloridos e lúdicos (Olintho Malaquias).

Ao tomar Simbad, uma das histórias de Mil e uma Noites e adaptá-la à dramaturgia em sete aventuras (ou episódios), a partir de todos os expedientes de criação afinados e integrados foi possível, metafórica e imaginativamente, viver uma viagem encantatória.

Em persa antigo há uma palavra adequadíssima para designar o que se pode sentir e perceber. Simbad: o Navegante, trata-se de mur ab, que se refere a maravilhoso e cuja tradução concerne a “aquele que persegue o desconhecido”. Mais do que cronológica, a viagem proposta por Simbad... decorre do conceito de tempo kairós (aquele emocional), em potente estado de delicadeza: delícia de espetáculo!

*O espetáculo Simbad, o Navegante foi apresentado terça-feira, 10, dentro da mostra oficial do 10º Fentepira


Alexandre Mate

Doutor em história social pela USP e professor do Instituto de Artes da Unesp (São Paulo); integra a comissão debatedora do 10º Fentepira


 
 
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