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E tem também esse machismo todo
Edu Campos
04/11/2015 14h57
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Li alguma coisa em rede social sobre uma campanha em que os homens cederiam suas colunas para que mulheres as escrevessem.

Não sei bem do que se trata.

Parece que há uma onda antifeminista por conta de um texto de Simone de Beauvoir no Enem.

Deve ser coisa dos xiitas nazi-evangélicos que estão tomando conta do Congresso e de canais de TV e rádio.

É gente muito atrasada que acha que mulher tem que obedecer homem.

O pessoal do Estado Islâmico também pensa assim.

A verdade é que homens sempre se assustaram com mulheres que se afirmam, fazem o que querem, dizem o que pensam.

E não seria diferente no século em que mais circulam mediocridades.

Muitos homens se sentem ameaçados em sua pequenez sexofóbica.

E não conseguem ver a mulher como uma companheira de existência, e sim como uma subalterna doméstica e biológica.

Alguns apelam para a Bíblia, aquele calhamaço de machismo que tem perto de 20 mil versões nas mais diversas traduções, interpretações e traduções das traduções.

Quantos desses roedores de Bíblia estudaram aramaico ou grego?

É muito mais fácil conseguir um horário numa rádio e ficar berrando sobre profecias num português cheio de conjugações na segunda pessoa do plural. Ainda impressiona muita gente.

O machismo é uma babaquice perigosa e violenta.

Quanto ao que as mulheres devem buscar, isto é assunto delas.

Não sou mulher para opinar.

Sou homem para reconhece-las como companheiras dessa nossa existência sem as certezas que esses donos da Bíblia querem nos impor.

E vale dizer também que a maior responsabilidade pelo machismo é das próprias mulheres, mais do que dos homens.

Há muita mulher machista por aí que fica indignada quando outra mulher prefere não se submeter a um homem, à família, a filhos.

Quanta mulher não foi chamada de puta simplesmente porque não queria nada disso?

Mulheres corajosas, que viveram as próprias vidas e não prejudicaram ninguém.

Pelo contrário, enfrentaram muita luta, muita angústia, muito desgosto, muita injustiça, pois se dependesse do machismo, mulher não votaria, não trabalharia, não sairia sozinha de casa, não teria direito a escolhas e ao próprio prazer.

E é disso que se tem medo, do prazer, que o prazer do outro seja maior que o nosso.

A liberdade dos outros sempre ofende a quem tem dificuldades de admitir a sua própria liberdade.

Quem não consegue ser livre quer ver todo mundo escravizado de uma forma ou de outra. Mas aqui no Brasil, no Ocidente, as mulheres votam, saem às ruas, fazem suas compras, mostram os rostos, trabalham são independentes.

E isto teve um preço muito alto para muitas mulheres que eram chamadas de putas.

Mas as filhas e netas dessas pessoas que as xingavam já viveram menos oprimidas com as conquistas das que foram xingadas.

Há países, principalmente na região onde se escreveu a tal da Bíblia, onde mulheres ainda são apedrejadas, não podem votar, não podem dirigir, não podem mostrar o rosto em público, são vendidas ainda adolescentes para maridos idosos que mantém haréns, têm seus clitóris brutalmente mutilados,essas coisas todas que esse pessoal antifeminista deve achar natural.

Este tempo de tanta circulação de informações têm nos mostrado o quanto há de gente mesquinha,atrasada e violenta que por aí.

Não faltam demonstrações de racismo, de intolerância, dos absurdos mais completos.

Boa partese esconde atrás de falsas ideias religiosas, mas sabemos que só querem dinheiro.

São covardes ignorantes.

Se um texto de Simone de Beauvoir ainda incomoda tanta gente, é porque tá faltando muita cultura, muita leitura, muito livro.

Só a Bíblia não dá, não.

O mundo é bem maior que Jerusalém e já passamos do tempo de Pôncio Pilatos, César e suas crucificações.

Tá na hora desses (e dessas) machistinhas de merda pararem de falar por Deus, baixarem a bola, e cuidarem um pouco mais da Criação.

E das próprias vidas.


Edu Campos

É fotógrafo e autor do livro Até a Margem do Grande Rio.


 
 
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